CAPITÃO DE LONGO CURSO

Há uma velha anedota, de que JORGE AMADO se aproveitou para elaborar um dos episódios de seu livro “Velhos Marinheiros”, que trata de um personagem que conseguiu uma carta de Capitão de Longo Curso por correspondência, sem entender, na prática, coisa alguma de marinha e que, um dia, viu-se na contingência de comandar um grande navio.

Na hora de atracar, à noite, parecia armar-se uma grande tempestade e o Imediato do navio indagou ao Comandante quantas âncoras e amarras eles deviam usar, ao que o capitão imediatamente respondeu: “TODAS!”

No dia seguinte de manhã, todos os barcos ao redor tinham naufragado, menos um, exatamente o comandado pelo Capitão de Longo Currso, cuja tripulação, na noite anterior, lançara todos os cabos e ferros disponíveis.

Essa parece ser, mutatis mutandi, a situação atual no Brasil, diante da crise financeira mundial.

O dólar está subindo e o Banco Central precisa vender suas reservas que haviam crescido muito quando o dólar estava baixo, o que facilita as coisas. A inflação está aumentando, mas a queda da atividade econômica pressiona negativamente os índices. O Plano de Aceleração do Crescimento está funcionando como uma ação anticíclica, e assim sucessivamente.

O grande mérito do governo atual foi o de ter incorporado à Economia um grande número de pessoas, das chamadas classes “b” e “c”, que se tornaram novos consumidores. Além disso, na minha opinião, há que se considerar um outro fator: a experiência de sacrifício do povo brasileiro ao longo de séculos, preparou-o para as adversidades em geral, embora nunca tenha bloqueado sua capacidade de ter esperança.

Talvez por isso o atual governo, perto do fim do segundo mandato, tenha conseguido, segundo a pesquisa ontem divulgada do instituto Data Folha, um nível recorde de aprovação popular de 70%: por mais que muitos conhecidos meus – e alguns queridos amigos, como o Sabino Camargo – continuem a tentar esnobar o presidente LULA.


1 comentário até agora

  1. Sabino Lamego de Camargo dezembro 6, 2008 2:59 pm

    Você está sendo extremamente injusto comigo. Nunca esnobei o Lula, pelo contrário, na mensagem que lhe encaminhei em e-mail pessoal a respeito do artigo publicado no seu blog sobre o assunto reconheci os méritos do Presidente, embora tenha discordado de sua afirmação dele ser um grande estadista. E as razões que ali expus não contêm qualquer traço de esnobação. Não tenho no momento em mãos a aludida mensagem para produzi-la aqui, mas o farei assim que possível. Ínsito, não esnobo o Lula, mas me reservo o direito de criticá-lo, e com severidade, quando ele se derrama em asneiras e chistes de mau gosto nos discursos que costuma improvisar e, especialmente, agora quando deu para inovar com a introdução de expressões chulas em suas falas. Você mesmo reconhece que ele diz besteiras, como me revelou textualmente em um de seus últimos e-mails: “Ele ficou perdido no meio dessa crise e fica falando besteira”. Mas o fato dele gozar de uma aprovação popular de 70% não lhe dá o direito ter esse procedimento.

    O fato de eu exigir mais compostura do Presidente da República em suas falas presidenciais não é esnobação, mas, ao contrário, queira você ou não, uma atitude de civismo na qual tanto eu como você fomos educados.

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