SUB-PRODUTOS DA “GUERRA AO TERROR”

A leitura do artigo de PANKAJ MISHA, publicado no NYT, e hoje traduzido para o Estadão sob o título “Ação Global contra terror agrava conflitos locais”, pode ajudar-nos a entender os motivos que provocaram a recente matança em Mumbai, promovida, ao que tudo indica, por terroristas ligados ao Lashkar-i-Taiba, do Paquistão.

Um desses terroristas, falando urdu (que é a principal língua do Paquistão e de muitos muçulmanos indianos) deu uma entrevista a um canal de televisão para o qual telefonou, do centro comunitário judaico de Mumbai onde estava, sugerindo que a sua ação estaria vinculada à recente visita de um general israelense à região da Caxemira indiana.

Referindo-se ao movimento rebelde no local ele perguntou: “Vocês têm noção de quantas pessoas foram mortas na Caxemira ?”

Em mais um telefonema, outro terrorista lembrou a opressão dos nacionalistas hindus contra os muçulmanos e a destruição da Mesquita Babri, em Ayodhya, em 1992.

Como diz MISHA é uma retórica familiar em tema de terrorismo, mas que mostra que os “conflitos políticos mais antigos do sul da Ásia se tornaram mais agudos em conseqüência da ‘guerra ao terror’ e do crescimento da militância islâmica internacional.”

Segundo ele, as forças americanas bombardearam esconderijos terroristas no Paquistão, desde a época de MUSHARRAF, ignorando os apelos paquistaneses, e isso agravou o “sentimento de humilhação e de impotência que a perda de soberania provoca no Paquistão, país com forte tradição de nacionalismo populista”.

Conclui o articulista o seu texto conclamando o presidente OBAMA a dar um exemplo, e “rejeitar os falsos pressupostos de uma guerra global ao terrorismo baseada na força militar – pressupostos que as elites de países poderosos com minorias irrequietas como Índia, China e Rússia abraçaram rapidamente desde o 11 de setembro”.


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