TOTALITARISMO

O editorial do Globo de hoje, intitulado “Limites do Estado”, é um exemplo de texto em que o autor veicula uma idéia querendo aparentar estar contra ela.

Com efeito, afirma o editorial no último parágrafo o seguinte: “ O Estado não pode tudo”.

Mas será que o projeto de socorro às grandes montadoras dos EUA – que é o tema de que trata o Globo – parte do pressuposto que o Estado tudo pode ?

Ou é o editorial – alinhado ao que existe de mais retrógrado na ideologia neo conservadora dos republicanos americanos – que está querendo defender a surrada bandeira de que o Mercado pode tudo ?

Parece não haver mais dúvidas de que a crise financeira mundial representa, para o neoliberalismo, o que a queda do muro de Berlim foi para o comunismo “real” e isso assusta aos que vivem, há anos, às custas do status quo que está se desmanchando sob o nosso olhar.

A alternativa do Congresso norte americano ao socorro às montadoras – à Chrysler e à GM, pelo menos, porque a Ford declarou, hoje, que ainda não precisa da ajuda financeira do governo – é deixá-las falir, com o que milhões de operários ficarão sem seus empregos.

Isso não quer dizer, como insinua o Globo, que o Estado possa tudo, ou que os democratas americanos estejam achando que o Estado pode tudo.

Nem mesmo a China, que o principal grande Estado autocrático atualmente no mundo, defende o princípio de que o Estado tudo pode.

O que não impede que o Estado, quando necessário, deva intervir no chamado domínio econômico (que é aquele espaço onde o dinheiro é preferencialmente empregado como disciplinador das condutas humanas na sociedade).

Fora do domínio econômico, está o domínio jurídico, onde prevalecem as sanções mais duras, contra a vida, a liberdade e a propriedade, que não têm a leveza das sanções monetárias. Quando o domínio econômico, porém, não funciona o domínio jurídico deve entrar em ação.

Não podemos, de resto, esquecer de que o próprio domínio econômico gira em torno da moeda, que é emitida em caráter de monopólio pelo Estado. O Estado, portanto, mas apenas nesse sentido, tudo pode: pode emitir moeda, e pode intervir no domínio econômico quando a moeda que ele emitiu não é suficiente para resolver todos os problemas.

O editorial do Globo sugere, implicitamente, que o exercício desse poder pelo Estado ( no caso os EUA ) tende ao totalitarismo, quando, na verdade, quem parece simpatizar com o totalitarismo é o editorialista, provavelmente um “fundamentalista de mercado”, como o denominaria GEORGE SOROS, não querendo perder o seu emprego.


Deixe um comentário

Seu e-mail nunca será publicado.