O DEBATE NECESSÁRIO

Na sua entrevista hoje publicada no Estadão o professor de Harvard KENNETH ROGOFF diz, a certa altura, o seguinte:

“Há muita gente fazendo lobby para que o status seja mantido, e é muito difícil se livrar desses lobbies. Eles foram o lobby mais poderoso em Washington nos últimos 15 anos. Com os fatos recentes eles perderam poder, mas ainda estão muito vivos”.

A ideologia defendida por esses lobbies foi disseminada pelo mundo inteiro, inclusive no Brasil, onde ainda a veremos, durante algum tempo, embutida nas análises e comentários que tentarão nos convencer a) de que a crise monetária nos países desenvolvidos não tem a magnitude que alguns imaginam; b) que o capitalismo é capaz de resistir a tudo e, no fim das contas, voltará a triunfar.

É preciso, portanto, abrir uma discussão pública sobre os pressupostos da crise que, a meu ver, encontram-se no conceito smithiano de moeda como reserva de valor e repositório de poder aquisitivo, que precisa ser superado.

O dinheiro não é riqueza: ele é uma das formas de organizar a conduta das pessoas na sociedade. A pobreza, por sua vez, decorre de uma falta de organização de certas sociedades. A solução da crise monetária dependerá, pois, da capacidade dos atuais ricos ajudarem a organizar, através do emprego do dinheiro, os atuais pobres, não apenas por razões éticas ou humanitárias, mas por motivos, digamos assim, estratégicos.

Os governos brasileiros, a partir, pelo menos, da gestão FHC e, agora, sob a liderança de LULA têm agido nessa direção nos últimos anos – através de programas como o Bolsa Escola e o Bolsa Família, por exemplo – e os resultados têm sido muito positivos, o que leva os estudiosos a perceber que não teremos tanta dificuldade em superar os reflexos internos na crise, se mantivermos o mesmo rumo de governança, o que deverá ocorrer a partir de 2011, quer sejam eleitos SERRA ou DILMA.


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