TEMOS MAIS O QUE FAZER !

Não é difícil entender o quadro político que emoldura o cenário dessa “guerra total” do Estado de Israel contra o povo palestino da Faixa de Gaza.

O exército israelense, tido como heróico e invencível durante quase 50 anos, quebrou a cara ao invadir o Líbano, em 2006, quando foi, de certa forma, derrotado pelo Hezbollah, do que resultou o desgaste do primeiro ministro EHUD OLMERT, obrigado a renunciar, para aguardar atualmente no posto o resultado da próxima eleição de fevereiro de 2009.

Para essa eleição concorrem o atual ministro da Defesa, EHUD BARAK, o indefectível Bibi (BINYAMIN NETANYAHU ) e a ministra das Relações Exteriores TZIPI LIVNI, cada um dos quais querendo se mostrar mais radical e exasperado do que o outro – bastando dizer que o mais moderado deles é o ministro BARAK, o mesmo que está pregando a guerra aberta e total contra o Hamas.

Como o Estado de Israel não tem muito poder a mais do que aquele que lhe dá a sua poderosíssima força militar – que obriga os israelenses a viver em guerra permanente, como se não fossem um Estado, mas um verdadeiro quartel – os líderes políticos desse Estado alimentam-se dos conflitos bélicos. Eles pretendem, inclusive, bombardear as instalações nucleares do Irã, a despeito da morte de milhares de soldados americanos que isso possa causar ( os que estão no Iraque ficarão no meio de um fogo cruzado.)

O uso político da força militar, porém, ficou recentemente desgastado, a ponto de os americanos deverem estar pensando com os seus botões se vale a pena embarcar na aventura dos dirigentes de Israel.

Está ficando cada vez mais claro que a crise do Oriente Médio só pode se resolver através de negociações políticas das quais devem participar todas as partes envolvidas – EUA, UE, Israel, Siria, Irã, Jordânia, Arábia Saudita, Autoridade Palestina, Hamas, Hezzbollah, etc – o que os dirigentes israelenses aparentemente não querem admitir, na suposição, talvez, de que terão do lado deles, incondicionalmente, os EUA, como vem ocorrendo há muito tempo.

Os Estados Unidos, porém, têm mais o que fazer do que levar pancada por causa de Israel, mesmo porque estão vivendo dificuldades financeiras internas e externas sem precedentes, às voltas com gravíssimos problemas, inclusive de natureza ecológica.

As previsões de BARAK, de TZIPI e de NETANYAHU de que os americanos irão apoiar as suas ações militares contra os palestinos na Faixa de Gaza poderão, portanto, não se concretizar, assim como não se abriu “o guarda-chuva internacional” político que as autoridades israelenses tentaram construir na Europa e na Rússia nos últimos meses.

Surgem, por outro lado, manifestações de solidariedade ao povo palestino por parte de líderes populares da região, o que assusta os dirigentes dos países árabes que exercem autoritariamente o poder.

Alguns governos têm as suas razões estratégicas para agir cautelosamente mas a opinião pública mundial não tem essas limitações e, como tende a tomar partido do mais fraco, pode desempenhar um papel decisivo no encaminhamento de uma solução diplomática para esse conflito.

Esses dois fatos novos – a ascensão de um novo governo nos Estados Unidos com características “liberais” – e a força da opinião pública mundial cansada de ver políticos quererem resolver militarmente questões que são predominantemente políticas, podem atrapalhar os planos politiqueiros que EHMU BARAK, TZIPI e BIBI tinham na cabeça quando decidiram bombardear e, eventualmente, invadir por terra a Faixa de Gaza.


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