A DIGNIDADE DO POVO PALESTINO

Na Metafísica dos Costumes, ao formular a Doutrina dos Elementos da Ética, escreve KANT o seguinte:

“ O respeito que tenho pelos outros ou o que o outro pode exigir de mim é, portanto, o reconhecimento de uma dignidade em outros seres humanos, isto é, de um valor que não tem preço, nenhum equivalente pelo qual o objeto avaliado pode ser permutado. Julgar alguma coisa como sendo destituída de valor é desprezo.”

Essa consulta a KANT me ocorreu depois que ouvi, na televisão, uma brasileira, habitante da Faixa de Gaza, falando a um repórter através de um telefone celular, sob o fogo dos bombardeios da Força Aérea israelense, afirmando que nada pior podia acontecer a ela do que aquilo que lhe tinha sido imposto por Israel, mandando, em conclusão, uma mensagem esperançosa à sua família no Brasil de que qualquer coisa que a esperasse no futuro ( inclusive a sua morte ) só podia ser melhor para ela.

Os dirigentes do Estado de Israel demonizam os palestinos, considerando-os uns terroristas primitivos que nada valem e não respeitam a dignidade das pessoas que constituem o povo palestino.

Mas a opinião pública não concorda com tal desprezo e os cidadãos, no mundo todo, inclusive nos EUA, saem à rua para protestar.

Assim, por um lado, as pessoas na Faixa de Gaza sentem-se desrespeitadas em sua dignidade a tal ponto que consideram não ter nada mais a perder; enquanto, por outro lado, a opinião pública mundial repudia o desprezo do Estado de Israel pelo povo vizinho.

Deduz-se daí que o Hamas, que vinha perdendo prestígio, em apenas quatro dias de bombardeios israelenses, tornou-se, indiretamente, o vencedor político da guerra


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