A MOEDA ÚNICA E OS TRATADOS INTERNACIONAIS

Em editorial de hoje do Caderno de Economia, intitulado “O euro aos dez anos: força e problemas”, o Estadão escreve, a certa altura:

“… a moeda européia provou ser um poderoso fator positivo na longamente buscada unificação do continente … mais do que os muitos tratados político e diplomáticos formalizados entre países até meados do século 20.”

Para melhor avaliar essa comparação entre Moeda e Tratados – a Moeda foi mais eficaz do que os Tratados – é preciso admitir que ambos são Normas Internacionais: que tanto os Pactos internacionais, como a Moeda EURO , são normas, destinadas a organizar as relações entre os Estados europeus. O que demonstra que o dinheiro não é, apenas, como se pensa, um repositório de valor de troca e de poder aquisitivo, consistindo ele próprio, como a lei, numa norma jurídica que constitui um valor.

O editorial do Estadão acentua, por outro lado, que é muito mais fácil unificar através da Moeda do que através dos Tratados o que, por sinal, já tinha sido evidenciado com o fracasso recente da votação da Constituição Européia. Vários novos países – como, agora, a Eslováquia e, num futuro próximo, a Letônia, a Hungria e a Polônia – passarão a usar o EURO, ao invés de suas unidades monetárias locais, facilitando a integração européia, a despeito das suas discordâncias quanto à Constituição da Europa.

A análise desses fatos mostra, por outro lado, o atraso cultural de certos políticos brasileiros ao lutar tão desesperadamente contra o ingresso da Venezuela no MERCOSUL, que a Câmara dos Deputados acabou da aprovar.

O fato de CHÁVEZ, de que muitas pessoas não gostam, ser o atual presidente do país não pode ser levantado como obstáculo ao ingresso da Venezuela no MERCOSUL, que foi criado, aliás, quando COLLOR DE MELLO era o presidente do Brasil.

O MERCOSUL – e a eventual futura moeda única regional sul americana – são questões entre Estados, e não entre Governos – e mesmo os governos não representam a vontade de seus eventuais chefes.

O ingresso da Venezuela no MERCOSUL deve ser saudado, pois, como uma vitória daqueles que querem construir um continente sul americano monetariamente estruturado, onde os conflitos, sempre possíveis, não se resolvam pela força mas pela atuação de um “terceiro sobre as partes” – o Banco Central regional competente para emitir o dinheiro comum em nosso continente.


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