ESPETÁCULO MAFIOSO

Como não existe, internacionalmente – diferentemente do que ocorre no plano dos Estados nacionais – um monopólio do uso da força, o Direito Internacional é considerado, por muitos autores, como um sistema primitivo, em que as partes usam a sua própria violência para defender o que julgam ser o seu “direito”.

Essa ordem primitiva assemelha-se, segundo esses mesmos autores, ao que ocorre com alguns grupos – como a máfia, por exemplo – que matam membros de outros grupos rivais, para se impor diante, inclusive, dos componentes de suas respectivas “famiglias”. O tema do “direito” dos grupos mafiosos foi explorado aliás, com muita competência, por FRANCIS FORD COPOLLA na trilogia “Poderoso Chefão” que gira em torno de figura trágica de MICHAEL CORLEONE.

Essas reflexões me ocorrem depois de assistir, na televisão, ao terror que os dirigentes do Estado de Israel estão usando contra os palestinos na Faixa de Gaza.

Trata-se de um espetáculo tétrico, similar aos exibidos pela máfia, com duas diferenças essenciais: a primeira é que a família CORLEONE, diversamente do que os militares israelenses estão fazendo ( a primeira vítima civil da invasão terrestre de Gaza , sintomaticamente, foi uma criança atingida pelo disparo de um tanque ), não assumia o risco de matar inocentes; a segunda é que o público que assiste, prazeirosamente, ao Poderoso Chefão, sabe que o sangue que jorra dos artistas é de mentira, mas não suporta assassinatos coletivos de verdade.

Os principais responsáveis pelas cenas diárias que nos horrorizam são o primeiro ministro EHUD OLMERT, o ministro da Defesa, EHUD BARAK e a ministra das Relações Exteriores TZIPI LIVNI, cada um dos quais querendo se mostrar – como ocorre nos grupos mafiosos – mais cruel do que o outro, para se impor aos demais.

Esse é, de certa forma, o resultado de uma ordem jurídica internacional imperfeita e primitiva.

Mas o nível de informação que o mundo globalizado recebe a toda hora é tão grande, que Israel dificilmente conseguirá enfrentar, por muito mais tempo mais, a opinião pública mundial contrária, que já incorpora muitos judeus de boa fé que não compartilham com o que está sendo feito contra os palestinos.


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