DINHEIRO PÚBLICO & CONSTRUÇÃO CIVIL

Nos últimos dez anos o setor da construção civil pretendeu crescer às custas do lançamento de imóveis para consumidores de alta renda.

Conseguiu, num primeiro momento, através do artifício dos “resíduos inflacionários”, transformar, de fato, a indexação anual de seus contratos em correção monetária mensal (embora cobrados os “resíduos” anualmente ), o que mais tarde se transformou numa autorização legal expressa, afinal cristalizada na Lei n. 10.931, de 2 de agosto de 2004.

Essa Lei foi aplicada intensamente até meados de 2008, fundamentando uma enorme quantidade de vendas realizadas, que chegaram a dar a impressão de que o setor imobiliário voltava a ser um grande negócio.

Eis que a crise americana – no início, aliás, de natureza imobiliária – atingiu em cheio, as nossas empresas do setor, que deixaram de receber dinheiro do exterior, o que está levando-as, agora, a tentar colocar rapidamente em prática um plano “B”.

O Plano “B” do setor da construção civil consiste em receber diretamente dinheiro publico para construir casas populares, o que está sendo negociado com a ministra DILMA ROUSSEF da Casa Civil, segundo se vê da reportagem de LU AKIKO OTTA, no Estadão de hoje.

Ora, se a ministra DILMA – mordida pela mosca azul – cair nessa esparrela, o Brasil voltará à época do Sistema Financeiro da Habitação, que se baseava na Lei n. 4.380, de 1964, e fracassou por inteiro.

O cinismo é assustador: o mesmo setor que queria construir imóveis de luxo, segundo, ao que dizia, as regras de mercado – estimula o governo, agora a lhe dar R$ 170 bilhões sob a forma de subsídio, para construir 8 milhões de moradias populares para pessoas com renda de até 5 salários mínimos: com a manutenção de todos os favores que a Lei n. 10.931, de 2004 lhe concedera, em nome da necessidade de estimular o mercado.

Trata-se de um esquema populista que ainda pode ser vetado pela área econômica, se as pessoas que a integram, nos diversos escalões, conseguirem continuar a ser sérias.


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