OS ESTERTORES DA SOCIEDADE DE CONSUMO

O consumo se perfaz através dos negócios jurídicos, especialmente do contrato de compra e venda, nos quais o dinheiro apresenta-se, para muitos, como se fosse um poder aquisitivo.

Sobre essa noção smithiana, setecentista – da moeda, como valor de compra – construiu-se um modelo que chega ao fim, o que a atual crise monetária norte-americana está se encarregando de demonstrar. O consumo começou a encolher, e a sua retração vai gerar problemas futuros ainda maiores.

As considerações acima são, em parte, provocadas pelas reflexões de CELSO MING no seu artigo “O talo do repolho”, hoje publicado no Estadão, em que ele busca “chegar às razões subjacentes “ da crise, partindo da constatação de que “o consumo das famílias americanas praticamente estancou”, o que exige que esse “consumo das família seja substituído pelo governo americano ( aumento das despesas públicas), o que explica a necessidade de pacotes fiscais sucessivos”.

Ao propor o aumento das despesas públicas, alguns economistas americanos estão querendo retornar á política keynesiana, posta em prática depois da grande depressão do final da década de 1920. KEYNES, contudo, também acreditava que a moeda se caracterizava pelo fato de possuir poder aquisitivo, de modo que as suas teorias talvez não nos ajudem muito atualmente.

A “x” do problema talvez esteja na percepção de que não importa o conteúdo do dinheiro, mas a forma através da qual ele é criado. CELSO MING, em seu artigo, fala do “enorme desequilíbrio macro econômico que divide o mundo entre cigarras e formigas; entre gastadores contumazes e poupadores inveterados”. O grande desequilíbrio macro econômico, com o qual o mundo não pode mais conviver, a meu ver, é entre os que têm, e os que não têm, poder aquisitivo: entre os que vivem consumindo e os que conseguem comprar muito pouca coisa.

Por outro lado, se o resto do mundo chegasse ao nível de consumo dos EUA a natureza reclamaria, como já começou a reclamar.

Enfim, a crise atual está demonstrando que se armou um cerco contra os Estados Unidos – e países que seguem, estritamente, o seu modelo de sociedade de consumo – e esse cerco deve servir para tornar evidente que o modelo consumista está decadente, e deve ser substituído por outro, descartando-se a ideologia do poder aquisitivo, e substituindo-a por uma política que dê ênfase ao valor – isto é, à moeda ( que é o valor positivado ) – como fator de organização social.


Deixe um comentário

Seu e-mail nunca será publicado.