ALÉM DE BRETTON WOODS

No artigo traduzido no último domingo para o Estadão – “EUA não resolverão crise sozinhos” – o ex-Secretário de Estado HENRY KISSINGER, ao tratar da conciliação dos sistemas político e econômico internacionais, diz o seguinte:

“No fim das contas, os sistemas político e econômico só podem ser harmonizados de uma das duas maneiras seguintes: criando um sistema regulatório internacional com o mesmo alcance do mundo econômico; ou encolhendo as unidades econômicas para um tamanho manejável pelas estruturas políticas existentes, o que provavelmente conduzirá a um novo mercantilismo, talvez de unidades regionais. Um novo acordo global do tipo Bretton Woods é, de longe, o resultado preferível.”

Reconhece KISSINGER , pois, que a desregulamentação que caracterizou o chamado neo liberalismo de MARGARETH TATCHER e de RONALD REAGAN foi uma falácia e que é necessária a instituição de uma nova ordem jurídico econômica internacional, sob pena de o mundo retroceder ao velho mercantilismo.

Um retrocesso histórico ao mercantilismo é, sem dúvida, indesejável, o que não quer dizer, contudo,  que baste um novo Bretton Woods para que o mundo reencontre os caminhos econômico financeiros que mais lhe convém.

Acredito que a melhor forma de harmonizar os dois grandes sistemas a que HENRIY KISSINGER se refere –  o político e o econômico – consiste na instituição de um Banco Central Internacional, com o poder de emitir uma moeda única mundial, cuja criação, porém, não me parece possível, na prática, a curto prazo.

O ideal, portanto, a meu ver, será que as “unidades regionais” a que se refere o ex-Secretário de Estado norte americano se revistam da forma de Bancos Centrais Regionais, com poder para emitir moedas comuns regionais, visando uma futura integração monetária internacional, capaz de exercer autoridade sobre todos os Estados nacionais, a exemplo do que fez a Europa ao emitir o EURO.

 

 


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