“GOOD BYE HAYEK”

 

Inspirado no título do famoso filme de WOLFGANG BECKER – Good Bye Lenin – proponho que algum cineasta faça uma análise do que deve estar acontecendo na cabeça das pessoas que se acostumaram  a ver o neo liberalismo, do qual FRIEDRICH AUGUST VON YAHEK foi um dos papas, como a solução dos grandes problemas da humanidade e percebem, agora, que não é bem assim.

Contra o estatismo  – o “grande mal”, segundo ele – HAYEK chegou a propor, num livro famoso, “Denationalisation of Money”, a desestatização do dinheiro, o que lhe parecia  “mais viável do que a utópica moeda européia”, como uma forma de contraposição ao poder dos Estados nacionais, com o qual ele, absolutamente, não concordava.

A proposta de HAYEK – bem articulada, de resto, como o que , em geral, ele escrevia – não entusiasmou os demais  economistas, embora quase todos tenham aplaudido as privatizações de serviços públicos que, mais tarde, foram promovidas no Ocidente, por  MARGARETH TATCHER, RONALD REAGAN e seguidores.

A tendência no mundo atual é em sentido contrário: ao invés de desestatizar o dinheiro, como sugeria HAYEK, os economistas estão recomendando estatizar o crédito, como o fez PAUL KRUGMAN, no artigo “Vodu para Wall Street”, publicado no último dia 20, e declarou, ontem, aos jornais, o brasileiro LUIZ GONZAGA BELLUZZO.

A relação do dinheiro e do crédito é hieraquizada: o dinheiro é superior, hierarquicamente, ao crédito, pois é o seu fundamento de validade. O crédito, contudo, através dos seus diversos movimentos de autonomia – como no caso dos “derivativos” – foi cada vez mais se divorciando do dinheiro, dando como resultado, ao fim de algum tempo, a crise monetária monumental que os EUA e a Inglaterra estão vivendo, com o seus sistemas financeiros literalmente quebrados.

O que estará se passando na mente das  “viúvas” de HAYEK, quando os bancos ingleses e americanos estão ameaçados de passar para as mãos do governo, para que o sistema volte a funcionar ?

A certa altura do seu citado artigo  “Vodu para Wall Street” escreve KRUGMAN:

“Minha suspeita é que as autoridades responsáveis – possivelmente sem o perceber – estão se preparando para uma tentativa de vender gato por lebre: uma política que parece a limpeza do sistema de poupança e empréstimo, mas na prática significa fazer doações imensas a acionistas bancários, à custa do contribuinte, disfarçada em compras pelo ‘valor justo’ de ativos tóxicos. Por que ? A resposta parece ser que Washington continua mortalmente apavorado com a palavra N – nacionalização. A verdade é que o Gotham Group ( o nome hipotético de um banco inventado por KRUGMAN ) e suas repartições irmãs já são repartições do Estado, absolutamente dependentes do amparo do contribuinte”.

No caso do Brasil, segundo BELLUZZO:

“Os bancos, no Brasil, não estão realizando empréstimos às empresas e consumidores” ( e, por isso, o governo precisa  adotar uma atitude mais positiva em relação ao crédito emprestando diretamente às empresas).

Todas essas mudanças devem estar fazendo um grande mal aos jornalistas econômicos da moda – eu fico pensando em dois deles, CARLOS ALBERTO SARDENBERG e GEORGE VIDOR, que aparecem todo o dia na TV-Globo e na sua recente companheira, MIRIAM LEITÃO, que há algum tempo perdeu a isenção que a caracterizava e passou a fazer proselitismo na sua coluna diária.

O que dirão todos eles diante da estatização do crédito que, aparentemente, será inevitável no Reino Unido, nos EUA e … no Brasil ?

Ficarão perplexos, sem dúvida, como aquela mulher que acordou de um coma alguns anos depois da queda a URSS e os filhos fizeram tudo para ela acreditar que nada havia mudado no país…


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