A CARA DA CRISE

A entrevista de ARMÍNIO FRAGA, hoje, ao jornal O Estado de S. Paulo, baseada no estudo por ele recentemente divulgado como vice-presidente do chamado Grupo dos 30 ( denominado “Um sistema para a estabilidade financeira”) ajuda-nos a delinear a cara da crise financeira, que tem o seu centro nos EUA e na Europa.

Numa linguagem muito direta – embora, contraditoriamente, expressa por meio de aparentes ambigüidades – diz o ex-presidente do Banco Central brasileiro o seguinte:

1 – Quanto ao engessamento do mercado financeiro: “A primeira impressão pode ser que o que recomendamos vai amarrar o sistema. De fato vai. Essa é a intenção.”

2 – Sobre os derivativos: “É bacana ter derivativos para tudo o que é tipo de operação, um sonho antigo dos economistas. Será que isso realmente cumpre uma função social e econômica ? Não.”

3 – A propósito da nacionalização do crédito (respondendo à pergunta se  acredita na hipótese de estatização do sistema?) : Já estão estatizando no mundo inteiro, implícita ou explicitamente.” 

Em resumo, segundo ARMÍNIO: a) é preciso regular os mercados financeiros, mesmo que daí resulte um engessamento do sistema; b) os derivativos não cumprem uma função social nem econômica; c) o crédito já está sendo estatizado, implícita ou explicitamente, no mundo inteiro.

É uma boa fotografia da crise; ou melhor:  um bom retrato das possíveis soluções da crise.


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