QUEIMA DE MAIS-VALIA

O ex presidente FERNANDO HENRIQUE CARDOSO, em artigo hoje publicado no Estadão e no Globo, atribui à MARX a expressão “queima da mais valia”, que ajudaria a explicar a crise monetária americana atual.

Como não ficou claro, para mim, se MARX, efetivamente, afirmou que a mais valia poderia ser queimada – e de que forma essa queima se daria – fui me informar sobre o assunto no Dicionário do Pensamento Marxista, de TOM BOTTOMORE, mas não encontrei o termo, o que me leva a desconfiar de que se trata de uma invenção do próprio ex-presidente, impressão que se fortalece diante do teor da sua frase, que é o seguinte:

“ Os mercados estão encolhendo e encolherão ainda mais porque, com ou sem socialização das perdas, houve perda substancial de riqueza ou, como MARX diria ( sic ), está havendo queima de mais-valia.”

Qualquer que seja o autor da expressão ela me parece, porém, bem significativa. A Economia clássica, desde os tempos de ADAM SMITH, vinha considerando que o dinheiro teria poder aquisitivo e que o valor de troca da moeda consistiria na quantidade de bens e serviços que o seu possuidor tem a capacidade de comprar. Nos dias que correm, contudo, as pessoas dispõem de mais dinheiro do que há bens e serviços que consigam ser adquiridos. O dinheiro, portanto, perdeu seu conteúdo, e essa sensação é muito assustadora para os ricos, similar a que eles devem ter tido quando descobriram que as peças monetárias não tinham valor intrínseco.

Ao se referir à queima da mais valia estaria FHC pensando nessa perda de conteúdo da moeda?

De qualquer modo, o ex presidente brasileiro está notando que os pensadores e representantes dos países desenvolvidos estão “perdidos na crise”, o que é um bom sinal, principalmente se considerarmos que os dois principais partidos políticos do Brasil, que disputarão as eleições presidenciais de 2010, o PT e o PSDB, têm como líderes, respectivamente, LULA e FERNANDO HENRIQUE CARDOSO, e os dois estão dizendo coisas parecidas.


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