GLOBALIZAÇÃO DA MOEDA

 

No artigo de hoje do Estadão, “Os limites do Estado”, o colunista CELSO MING relaciona as limitações dos Estados nacionais para gerenciar o dinheiro em escala global, concluindo o seguinte:

“A terceira limitação é a de que o Estado moderno, tal como hoje formatado, não serve mais para xerifar as finanças globais. Os organismos reguladores nacionais falharam nos cinco continentes, não só porque as autoridades que os dirigem não previram, não entenderam, não supervisionaram e não proveram. Falharam, também, simplesmente porque são nacionais. Como controlar bancos, fundos de hedge, megasseguradoras, mercados de derivativos que operam globalmente com instituições cuja jurisdição é puramente local ?”

Podemos acrescentar às lúcidas considerações acima a constatação de que os Estados nacionais vivem um problema semelhante  no que se refere à ordem política global, que também está falida: o que a guerra de Israel contra os palestinos da Faixa de Gaza demonstrou cabalmente, pois até instalações da ONU foram bombardeadas pelos israelenses,  e o máximo que o Secretário Geral pôde fazer foi protestar verbalmente contra o fato.

A grande questão, que há muito tempo exige a atanção dos juristas – como KELSEN e BOBBIO, preocupados com a institucionalização da paz entre as nações – consiste em saber como organizar um Estado mundial, já que o modelo de organização do Estado nacional ( com o monopólio da força ) na ordem internacional não funciona.

A organização da moeda parece-me a melhor forma de criar um novo Estado ( monetário )  internacional.

A moeda, assim como as Leis nacionais e os Pactos internacionais, é um meio de disciplinar as condutas humanas, por meio de um processo mais soft, pois a sanção monetária consiste, apenas, na transferência compulsória da peça monetária de mãos, e não na aplicação da força.

O Grupo dos 20, do qual o Brasil participa, que se reunirá em abril, deveria levar a proposta concreta de criação de um Banco Central Internacional, que retomaria, de forma mais ampla, o antigo plano KEYNES, de criação do “Bancor”, que foi abandonado em favor da implantação do FMI, por pressão, na época, dos Estados Unidos, que agora, contudo, não tem mais tanta superioridade moral, já que são o centro da crise.


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