A IDEOLOGIA DO EXTERMÍNIO

 

Um dia depois que o presidente LULA elogiou a face amena da política de segurança do Rio de Janeiro – a ocupação do morro Santa Marta – a polícia local, numa mega operação de “guerra” ao tráfico matou, em “confronto”, dez pessoas, em favelas da zona oeste da cidade.

O discurso do presidente, portanto, embora diretamente favorável à atuação policial pacífica, justificou, indiretamente, o extermínio violento do dia  seguinte, porque a política de segurança é uma só, e as ações policiais, para fins de  propaganda, são coordenadas, para criar um determinado impacto na opinião pública.

Ninguém se ilude que essas execuções de “bandidos” nunca terão o efeito de acabar com as drogas: os mortos ( quando não são inocentes ) são imediatamente substituídos por outros, e o comércio do tóxico não para de crescer. A finalidade dessas operações é, meramente, político partidária:  mostrar a face “severa” do jovem governador, que ao mesmo tempo aparece nas fotos dos noticiários dando largas gargalhadas, como se fosse um bonanchão.

Por outro lado, todos sabem que esses supostos “confrontos” são farsas, formalizados em registros de “resistência” em 95% dos casos inverídicos, que criam uma cultura mentirosa na polícia, que corrompe a corporação.

A nossa “war on drugs”, portanto – que está fadada ao insucesso, como ocorreu com a matriz norte americana – é, ao mesmo tempo, imoral, quando se estrutura sobre a mentira, e inconstitucional, ao violar não apenas os chamados direitos humanos, mas o próprio Estado de Direito, que exige o respeito ao devido processo legal (segundo o qual ninguém pode ser condenado sem julgamento prévio adequado ) e não permite a pena de morte.

O presidente LULA não tem como ignorar isso. Por mais que ele seja grato, politicamente, a este governador, que lhe dá o apoio que ele não teve de seus antecessores, não pode se fazer de ingênuo, mantendo uma conduta light, como quando comentou, há tempos, que “bandido não pode ser tratado com flores”.

O fato de o Poder competente, para a política de segurança, ser estadual, e de a polícia de outros estados, além do Rio de Janeiro, também matar, sistematicamente, os jovens pobres –vergonhosa tradição  que proveio das técnicas dos capitães do mato do tempo da escravidão – não deve servir de pretexto para o presidente da República fingir que não está vendo o que ocorre.

Ao agir assim, o presidente se torna também responsável pela aplicação da ideologia de extermínio, de extrema direita, que tomou conta do atual governo do Estado do Rio de Janeiro.

 

 


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