A DERROTA DOS CARA PÁLIDAS

A velha anedota do TONTO é engraçada até hoje: quando o ZORRO, ameaçado por uma tribo inimiga, disse para o seu até então fiel escudeiro: “nós estamos cercados” ouviu do índio a seguinte indagação: “nós quem, cara pálida” ?

Se compararmos essa história com a presença atual de uma família de negros na Casa Branca, poderemos perceber como a desastrosa gestão de GEORGE W. BUSH não só destruiu a credibilidade e o prestígio que a vitória na Segunda Grande Guerra deu ao EUA, como acabou derrotando a supremacia ideológica, de tanto tempo, do homem branco sobre a Terra.

Mesmo as pessoas com poucos preconceitos – qual de nós não tem preconceito algum ? – quando olham para um jovem mulato nas ruas não conseguem  deixar de imaginar que ele pode vir a ser, mais tarde, um presidente da República, e não está condenado a se transformar num futuro marginal.

Creio que esse fato, que não é apenas um símbolo , é suficiente para evidenciar o equívoco da declaração do escritor TARIQ ALI, em entrevista a IVAN MARSIGLIA, no Estadão de domingo, de que BARACK OBAMA “ é um presidente fraco, que não está à altura das dimensões da crise que enfrenta”.

Não se trata de uma suposta fraqueza de OBAMA: e sim da conjugação de vários  pressupostos que tornam a guerra do Afeganistão um problema de difícil solução.

Por um lado, a decadência dos políticos norte americanos é geral: os neo conservadores desmoralizaram os conservadores e os neo liberais arrasaram o antigo respeito que os liberais certamente mereciam.

Além disso, segundo a opinião de SIMON JENKINS, expressa no artigo intitulado “ O fiasco do Ocidente no Afeganistão”, “ os líderes ocidentais parecem incapazes de resistir à sedução do poder militar. Eles acham que por ter derrotado o comunismo e viajado à Lua, conseguirão que qualquer país atingido pela pobreza faça aquilo que o Ocidente considerar melhor”, concluindo:

“ Tudo não passa de presunção. A arrogância do império transformou-se na arrogância do liberalismo”.

Não é por ser supostamente fraco que o presidente OBAMA vai ter que agradar, em parte, aos generais que exigem maior presença militar no Afeganistão,  onde se trava uma guerra pelo menos “diferente” da que os EUA se envolveram no Iraque – e da qual eles estão se retirando – não por ser “necessária”, nem “justa”, mas por ter contado com o apoio internacional e ter sido decretada em seguida ao ataque suicida de membros da Al Qaeda às Torres Gêmeas de Nova Iorque.

Em contrapartida, porém, será inevitável, a meu ver,  que o chamado mundo ocidental encontre uma solução política para a questão afegã, que precisará contar, sem dúvida, com o apoio dos Talebans.


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