INDEXAÇÃO & ESPECULAÇÃO

No artigo “Indexação do bem ?”, hoje publicado no Estadão, o jornalista CARLOS ALBERTO SARDENBERG apóia uma declaração da presidenta DILMA contrária a indexação inflacionária, escrevendo o seguinte:

“Correto. Esse tipo de indexação perpetua a inflação passada. É um enorme problema brasileiro. Como há muitos preços indexados, ficam impossível levar a inflação para taxas abaixo de 3% ao ano, nível que poderia ser mais adequado para o Brasil e que garantiria mais conforto para o orçamento das famílias.”

Acontece que não é exato que o governo não compactue com a indexação inflacionária, baseada na inflação passada, mesmo porque os índices e indexadores, em sua quase totalidade, se baseiam no aumento do custo de vida já ocorrido. As metas de inflação, sim, prevêem uma inflação futura: mas elas são previsões, e não normas, e podem servir para a fixação de preços, mas não para correção monetária, que incide sobre o ato jurídico perfeito e a coisa julgada.

Por que razão  meta de inflação atual no Brasil é muito alta e o governo não a diminui ?

Diz SARDENBERG que isso é “impossível”, mas a questão não é essa. Possível é: possibilíssimo, mas o mercado financeiro  – ou, mais propriamente, os especuladores desse mercado – não querem, porque, da perspectiva deles, juros e correção monetária são a mesma coisa; ou seja, são um acréscimo ao principal decorrente do transcurso do tempo.

De qualquer modo, como demonstra o artigo do jornalista,a consciência de que a indexação residual – a que escapou pelas brechas deixadas pelo Plano Real de 1994 – está se generalizando, o que é importante para dar respaldo à Fazenda e ao Banco Central para fazerem os cálculos direitinho e acabarem com ela.


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