FINGINDO QUE NÃO VÊEM

Sempre foi assim. Desde os tempos, pós 1964,  da correção monetária plena, o governo e o mercado fingiam que não a estavam vendo, não só porque eram clientes dela, como alardeavam que ela era “justa” e “natural”, até o momento em que não foi mais possível suportá-la, vieram os planos econômicos e , afinal, o Real quase extinguiu-a, mas deixou as brechas que, agora, voltam a causar estragos.

Atualmente, segundo Márcia de Chiara, em reportagem do Estadão, “Preço da indexação na inflação passa de 40%”, já que “ aumentos de produtos ou serviços que de alguma forma levam em conta a inflação passada têm impacto em 46% do IPCA e 44% do IPC-Fipe.”

Por outro lado, como escrevem, duas páginas adiante,  Lu Aiko Otta e Célia Froufe, “Medidas do governo estimulam a indexação”, pois “reajuste do salário mínimo e dos benefícios do Bolsa Família adotam inflação passada e têm impacto no aumento de preços.” Num quadro ao lado eles relacionam os itens que sofrem, diretamente, o “peso da  indexação”, a saber : Eletricidade, Telefone, Água, Aluguel, Mensalidades escolares, Salário mínimo e Aposentadorias superiores ao Salário Mínimo.”

Diz o economista HERON DO CARMO, presidente do CORECON de São Paulo, que a indexação é a responsável por 15% da inflação dos últimos meses, e ele não tem dúvidas de que

“…só com o fim da indexação o problema da inflação, que a presidenta adjetivou como “praga” em seu discurso de posse, poderá se dissipar. “

O ministro da Fazenda deve deixar de lado aquela cara de paisagem e determinar à sua equipe, em coordenação com todos os órgãos do governo que tratam da matéria, que promova estudos urgentes para acabar com a indexação residual.

As autoridades, e o mercado,  precisam parar de fingir que não vêem os males da correção monetária que se alastra, mesmo porque ela vai criar um enorme problema político, em breve, para a presidente DILMA.


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