QUANDO E COMO DESINDEXAR A ECONOMIA ?

O editorial econômico de hoje do Estadão, “Indexação impõe limites à política anti inflacionária”, conclui afirmando que

“ante a importância de reduzir o peso da indexação na inflação, bom seria abrir um debate público sobre o assunto.”

Esse debate é necessário agora, como o foi antes de 1994, quando pavimentou o caminho de sucesso do Plano Real. Mas é preciso formar uma equipe, como ocorreu naquela época, do que não vemos, ainda, qualquer indício, salvo, talvez, em torno do aumento do salário mínimo, que é, contudo, um pouco diferente da indexação residual.

Uma das coisas que devemos saber é se o governo pretende agir de surpresa, unilateralmente, aproveitando o capital político da eleição presidencial, ou se vai  tentar negociar com o mercado, o Congresso e o Judiciário, o que me parece o caminho mais difícil, embora inevitável.

Muitos entendem que um “pacote” desindexatório, a esta altura, criaria um passivo judicial muito forte. E, de fato, os tempos dos planos econômicos deixaram amargas lembranças. O próprio Real foi preparado com muito cuidado pelo então ministro da Fazenda FERNANDO HENRIQUE, que afirmava sempre que não haveria ruptura de contratos – no sentido de que não seria retroativo – e  assim por diante.

O problema é que não se ouve nada vindo do governo. A presidente DILMA, que é economista, disse, uma vez, que o governo não utiliza índices baseados na inflação passada, inercial, mas isso não é verdade. Quanto ao ministro MANTEGA, ele parece perdido no meio desse temporal.

O momento de fazer a mini reforma monetária que se impõe é agora, e ela já estará sendo feita com atraso, pois as brechas do Plano Real não pararam de aumentar nesses últimos anos.

Impõe-se, de qualquer modo,  que o governo dê um sinal de que pretende desindexar a Economia.


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