O MINISTRO PALOCCI E A DESINDEXAÇÃO

Deve-se ao então Ministro da Fazenda, ANTÕNIO PALOCCI, o sábio conselho ao ex-presidente LULA de prosseguir na política econômica formulada por PEDRO MALAN, que tinha idéias claras sobre o que devia ser feito no Brasil e acreditava no princípio do valor nominal, criticando sempre aqueles que ele considerava espécies do gênero “homus indexatus”.

Contudo, nem o ministro PALOCCI, nem o ministro MANTEGA, que o sucedeu, tentaram aprimorar o Plano Real e o processo de desindexação da Economia promovido pelo ministro MALAN. Antes, para atender ao entusiasmo do presidente LULA pelo crescimento do país, admitiram a expansão da indexação residual pós 1994, estendendo-a, por exemplo, ao mercado imobiliário e deixando-a crescer.

O preço dessa política está sendo pago, agora, pelo governo DILMA, do qual PALOCCI é o Ministro Chefe da Casa Civil, e bem poderia corrigir a sua omissão, acima apontada.

Essas reflexões me ocorreram ao ler o texto da coluna do CELSO MING no Estadão, em que ele, a certa altura, assinala o seguinte :

“Vem também aí o impacto dos reajuste dos preços administrados sujeitos à indexação pelo IGP-M ( aluguéis, financiamentos) que, em 12 meses, atingiu a magnitude de 11,30%. E há o fator inércia, que tende a prolongar a prática de reajustes acima da projeção da inflação futura.”

Isso devia ter acabado com o Plano Real, mas ficou em aberto, como se viesse a ser extinto “naturalmente”, o que não ocorreu.

Embora a maior parte dos responsáveis pelo Plano Real sejam, hoje, empregados do mercado financeiro, alguns deles não estão nessa situação, como é o caso, suponho, do Prof. GUSTAVO FRANCO que, juntamente com outros intelectuais deviam ser convocados pelo ministro PALOCCI, para, ao lado dos juristas do Banco Central e do governo federal, apresentarem um ante-projeto de desindexação completa da Economia brasileira.  


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