INÉRCIA INDEXATÓRIA

A ata da última reunião do COPOM refere-se à inércia inflacionária, provinda de 2010, apenas para tentar explicar, em parte, o aumento dos níveis de preços no início deste ano, fenômeno que não deverá  se reproduzir, segundo ele, ao longo de 2011.

Salvo considerações esparsas nos jornais, não se percebe, em  nenhum outro setor do governo, da área acadêmica, ou da iniciativa privada, qualquer movimento para acabar com a indexação residual, nem a associação desse fenômeno à alta persistente dos juros, à apreciação do Real ou ao crescimento da inflação.

O Judiciário, que deveria reagir contra as violações das regras que asseguram a vigência do princípio do valor nominal, acomodou-se e convive hoje, sem sentimento de culpa,  com a correção monetária.

Há no Brasil, portanto, mais do que uma inércia inflacionária, uma inércia indexatória, o que pode significar que acabar com o resíduo de correção monetária – considerando que já se passaram quase 17 anos do Plano Real – vai demorar, e custar, quase tanto como custou e demorou reduzir a maior parte dela.


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