DESIGNAÇÕES MONETÁRIAS

Revendo alguns livros de numismática– graficamente muito bonitos – chamou-me a atenção o fato de que todos eles se referem à moeda, querendo significar peças monetárias como, por exemplo: “Moedas portuguesas da época do descobrimento na coleção do Museu Histórico Nacional”, “Moedas contam a história do Brasil”, “As moedas do Brasil”, etc.

As fotos são de peças monetárias, todas elas de metal, até uma determinada época, depois cédulas de papel, que, no início, eram consideradas moedas fiduciárias.

As noções de moeda ( como valor ) e de peça monetária ( como instrumento ) confundiam-se no conceito de moeda.

Ao mesmo tempo esses livros contam todos a história da moeda como tendo se originado das trocas, porque as peças monetárias eram consideradas coisas móveis.

Foi TÚLIO ASCARELLI, quando escreveu o seu livro Obrigações Pecuniárias, publicado em 1959, quem pela primeira vez, acentuou a diferença entre moeda e peça monetária.

A noção de que a designação “moeda” abrange o valor e o instrumento, e que ela teria sucedido a troca, ainda é arraigada até hoje, mas é motivo de muitos equívocos teóricos.

Diversamente do que  se pensa a moeda não proveio da troca, sendo mais correto pensar o contrário, isto é, que a troca pressupõe um valor, ou seja, a moeda. Além disso, quando se afirma que a moeda é um meio de troca, comete-se um engano. A troca, aliás,  assim se denomina exatamente porque prescinde da peça monetária.

“Politicamente correto”, portanto – se me permitem a comparação – seria esses livros passarem de numismática a terem os títulos “Peças monetárias portuguesas”, “Peças monetárias portuguesas”, etc, e guardarem a expressão “moeda” para se referirem  às também chamadas “unidades monetárias”.


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