HETERODOXIAS

A primeira vez, há cerca de 25 anos atrás,  que ouvi a expressão heterodoxia aplicada à Economia foi através de um amigo muito saudoso, o Lucas ( ou Roberto Ruiz de Gamboa ) que assim se referia às minhas idéias sobre a moeda, que ele, numa conversa multidisciplinar,  tinha a paciência de discutir comigo.

Pouco depois, na época do Plano Cruzado, esse vocábulo foi muito utilizado, para referir-se ao plano econômico do governo que previa o congelamento de preços para tentar estancar a inflação.

Eis que, agora, a palavra “hetorodoxia” parece estar voltando à moda, para designar a nova atitude do Banco Central brasileiro diante da inflação. Pelo menos é isso o que deflui da entrevista de SAMUEL PESSOA à jornalista Raquel Landim, do Estadão. Diz ele:

“O Banco Central está se tornando mais ‘heterodoxo’ no combate à inflação e o governo DILMA ROUSSEFF corre o risco de meter os pés pelas mãos” …. afirmando, ainda, que “está menos otimista em relação à Administração ( atual )” que “ esperava que fosse um governo ‘fácil’, de ‘continuidade’ em relação ao mandato LULA “

Ou seja, segundo PESSOA o governo DILMA não é nem fácil, nem de continuidade em relação ao de LULA, porque é, em matéria econômica, “heterodoxo”.

A visão de SAMUEL PESSOA é muito setorial. Ele não se refere ao fato – que chega a ser vergonhoso – de o Brasil ostentar a maior taxa de juros do mundo e de ter-se tornado refúgio da mais escancarada especulação financeira, o que desestrutura a taxa cambial; dando a impressão de que acha tudo isso ( certamente porque beneficia os seus clientes da “Tendência”) muito natural.

Talvez que seja essa a razão porque eu –  que não sou economista e não me sinto culpado por minha heterodoxia – estou achando boa a política econômica do Banco Central do governo DILMA, esperando que não seja verdadeira a notícia dos jornais de que os ministros PALOCCI e MANTEGA estejam divergindo sobre ela.


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