CINISMO

Guardadas as devidas proporções, a reação de algumas pessoas diante das atitudes do pastor TERRY JONES – que, ao queimar o livro sagrado dos muçulmanos, provocou as explosões de violência recentes no Afeganistão –   é semelhante  à de muitos brasileiros com relação às declarações racistas e homófobas do deputado JAIR BOSOLONARO, ou seja, de puro cinismo.

Sem ser moralista, não posso deixar de condenar o cinismo que campeia nos meios de comunicação, inclusive na Internet, onde as pessoas podem  publicar, com facilidade, os seus pensamentos.

Dizia-se, na antiguidade, que rindo, castigávamos os costumes: “ridendo castigat mores”.

Isso podia ser verdade quando os auditórios para os quais se dirigiam os críticos que faziam rir eram compostos de poucos ouvintes, não ultrapassando  algumas lotações de teatros.

Hoje, não: qualquer pequena coisa que alguém diga logo pode se tornar um sucesso de audiência. E é provável que muitos que parecem, sorridentes, condenar o pastor JONES e o Deputado BOLSONARO concordem, no fundo, com o que eles estão pensando.

É preciso cuidado, pois, para não sermos cínicos, sempre que o nosso cinismo possa contribuir para aviltar a dignidade da pessoa humana.


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