A DEMOCRACIA FAZ A DIFERENÇA

No excelente artigo hoje publicado no Estadão, intitulado NEGÓCIO DA CHINA, o governador JOSÉ SERRA faz vários comentários que desmontam  o ufanismo que o governo está pretendendo criar em torno da viagem da presidenta DILMA à China.

Creio, porém, que o viés de economista – e a sua má vontade em relação ao ex-presidente LULA – levaram SERRA  a descuidar da análise de uma vantagem institucional que o Brasil tem em relação à China, consistente no fato de sermos, hoje, um Estado plenamente democrático, enquanto a China é uma autocracia.

Vale a pena refletirmos, a propósito, sobre o seguinte trecho do artigo do ex-governador:

“ O centro chinês é muito peculiar. A economia é monitorada pelo Estado. O grau de discricionariedade da política econômica é altíssimo. O regime autoritário é eficiente para seus propósitos, e fortemente repressivo quando necessário. Para os de fora, fica difícil explorar suas contradições internas. É um regime encarado com complacência por seus parceiros comerciais, inclusive o Brasil. “

Poderíamos dizer: com a complacência, também, de JOSÉ SERRA, cujo artigo é favorável a um tratamento mais “oportunista” do Brasil em relação à China, já que ele escreve:

A China é uma oportunidade e uma ameça. Infelizmente, o Brasil escolheu a ameaça.”

Quererá isso quer dizer que se o Brasil tivesse escolhido a “oportunidade” tudo estaria bem ?

O Brasil, por ser um Estado democrático, leva uma grande vantagem em relação à China. Quando os chineses começarem a protestar, como fazem os brasileiros, e surgir um governo, escolhido pelo povo, que nos permita explorar as contradições internas daquele país, a nossa relação bilateral tenderá a pender a favor do Brasil, a despeito do que pensa o governador SERRA.

De qualquer modo, o alto nível do texto – e, por outro lado, a proposta recente de FHC, tão ligado à SERRA, de que o PSDB passe a se dirigir mais à classe média emergente do que ao povão– mostra que os caminhos da oposição ao governo DILMA não são os do ex-governador AÉCIO NEVES, que, aparentemente, não tem idéias claras sobre o mundo global em que atualmente se insere o Brasil.


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