OS TAMBORES DO GOVERNO

Parodiando o título do artigo de CELSO MING no Estadão de hoje – “ Tambor em outro ritmo” – em que ele refere-se à falta de credibilidade do Banco Central junto ao mercado, vou tentar explicar o ritmo, lento, gradual e seguro, dos tambores do governo, procurando entender o que está se passando na cabeça do governo DILMA.

O economista SAMUEL PESSÔA, na entrevista “O governo vai ter de aumentar a carga tributária”, estranha porque a presidenta, na culminância do seu capital político, não está agindo para corrigir as distorções que ele enxerga na política econômica.

Em vez dessa ação pirotécnica, reclamada por PESSÔA, o governo estaria procurando o apoio de alguns economistas – dentre eles DELFIN NETO, OCTÁVIO DE BARROS, JOAQUIM LEVY e LUIZ FERNANDO FIGUEIREDO – para levar adiante, sem estardalhaços, a sua política econômica, e a estratégia usada na sua condução:  “bem compreendida (segundo algumas fontes )  pelos investidores estrangeiros”.

Logo no início da Administração DILMA ROUSSEF também me pareceu que ela devia aproveitar o famoso “capital político” para tomar algumas medidas ( especialmente acabar com a correção monetária residual ) tal como fez o presidente COLLOR, por exemplo, quando baixou o seu malogrado Plano econômico.

Percebi, porém, que a presidenta, e sua equipe – aí incluído o Banco Central, que não é a “santa sé” ( como disse JOSÉ SERRA ) – escolheram uma forma cautelosa de baixar os juros e resolver a questão da valorização do Real diante do dólar.

Não há, atualmente, no mundo, uma lógica econômica tão precisa – e, ao mesmo tempo, tão falsa – quando a que havia na época do Consenso de Washington. O neo-liberalismo não dá mais as cartas, embora nas suas doutrinas ainda se alimente grande parte dos nossos analistas econômicos.

Os tambores do governo, portanto, não querem rufar animando uma rumba mas um samba canção lento em que a sociedade, inclusive o mercado, acostumem-se, aos poucos,  às medidas “macroprudenciais” e acabem, se possível, apoiando-as. Trata-se, aparentemente, de  uma espécie de “soft-power dílmico” que vale a pena esperar para ver se dá resultado…


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