A ILUSÃO DO DÓLAR

Em seu artigo no Estadão o colunista CELSO MING refere-se, corretamente,  à ameaça que paira, atualmente, sobre os títulos do Tesouro dos EUA – os chamados “Treasuries” – que estão perdendo eficácia diante do crescente déficit norte americano.

É ilusória, contudo, a conclusão do seu texto, a saber:

“ Ao contrário do que acontece com as demais economias devedoras, os Estados Unidos podem, em tese, deixar de rolar sua dívida. Ou seja, em vez de emitir nova dívida para pagar as que estiverem vencendo, podem imprimir dólares para resgatá-la. O governo americano sabe que não há outro ativo no mundo em condições de se apresentar como moeda internacional de reserva.”

Diversamente do que pensa MING, não adianta aos EUA emitirem dólares para resgatar a sua dívida.

O dólar americano, fora dos Estados Unidos, não é igual ao dólar americano dentro dos Estados Unidos ( e isso é verdade para qualquer outra moeda nacional) .

Uma das características da moeda é ela ser exclusivamente nacional, não havendo, a rigor, uma “moeda” estrangeira, embora chame-se assim a moeda nacional que circula fora das fronteiras do país que a emite. Acontece que essa moeda que circula fora do país que a emite não tem a força da moeda que circula internamente nesse mesmo país.

Simplificando a questão poderíamos dizer que a moeda nacional, quando circula num país estrangeiro, equivale a um crédito.

Isso significa que os EUA, diferentemente do que está imaginando CELSO MING, vai ter, numa hora dessas que começar a rolar, sim, a sua dívida mobiliária e a saída que ele vai encontrar para isso será voltar a tributar os mais ricos.


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