FALSIFICAÇÃO DA HISTÓRIA

O editorial do Estadão “ Irresponsabilidade tem preço”, sobre a condenação da União Federal na ação proposta pela VARIG diz, a certa altura, o seguinte:

Planos econômicos mirabolantes e medidas administrativas executadas sem o devido amparo jurídico – o que denota desapreço pelas leis – muitas vezes viraram o País de cabeça para baixo, deixando em seu caminho um rastro de cidadãos prejudicados. Cedo ou tarde, essas aventuras são questionadas nos tribunais, quase sempre com ganho de causa para os lesados.”

Trata-se, na verdade, de demagogia barata.

Quais são os planos mirabolantes a que se refere o referido texto ? Por que razão viraram o País de cabeça para baixo ? Por que chamá-los de aventuras que, cedo ou tarde, são questionadas nos Tribunais ?

Os Planos Econômicos, a começar pelo Cruzado, de 1986 e terminando com o Real, de 1994, visaram debelar um processo hiperinflacionário provocado, em grande parte – como é atualmente unanimemente reconhecido – pela correção monetária implantada com o Golpe Civil Militar de 1964.

Não foi fácil enfrentar a clientela que se formou em torno da ORTN, a  “moeda paralela” criada com a  Lei n. 4.357, de 16 de julho de 1964; o que explica o fracasso dos primeiro planos. A reforma monetária, que teve início em 1986, só conseguiu triunfar com o Plano Real, através do emprego da Unidade Real de Valor – a URV, que preservou ( artificialmente, aliás ) os créditos anteriormente beneficiados pela correção,  dos quais eram titulares inúmeros e poderosos clientes.

Como todos os planos econômicos estão entrelaçados, sendo uns a continuidade dos outros, condenar o Cruzado significa condenar, também, o Real – no que o editorialista está indo contra a linha do jornal, que defende a reforma monetária levada a cabo pelo ex-presidente FHC quando era Ministro da Fazenda do governo Itamar Franco.

A impressão que fica, para o leitor de boa fé, é que o Estadão perdeu o rumo…


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