DINHEIRO BOM SOBRE DINHEIRO RUIM

O repórter Vinicius Neder, do Estadão, ouviu dos diferentes economistas sobre a estratégia do governo de orientar os bancos públicos a socorrer empresas de diversos setores com empréstimos em melhores condições que as de mercado.

Segundo o economista Júlio Gomes de Almeida, professor do Instituto de Economia de Campinas, “estamos perdendo o controle do tamanha da recessão. Se o crédito for embora, a coisa fica muito difícil”.

Já o consultor Roberto Luiz Troster, que foi economista chefe da FEBRABAM, alerta para o “risco de colocar dinheiro bom sobre dinheiro ruim.”

A díade “bom” versus “ruim”, em matéria de dinheiro, faz referência à famosa Lei de Gresham, embora num sentido um pouco diferente. Segundo essa lei, a moeda má repele a moeda boa. No caso, porém, o economista Troster tira uma conclusão contrária: o crédito bom não deve incidir sobre o crédito ruim, sob pena de contaminar-se.

O que vejo, nesse episódio, é mais um sintoma da atuação ineficaz do Banco Central brasileiro diante de nossa crise financeira. As taxas de juros atuais estão derrubando a economia, ao mesmo tempo em que transferem recursos para os grupos de rentistas que não têm responsabilidade pelo crescimento da produção.

As distorções decorrentes da elevação da Selic exigem que o Banco Central passe a exercer um “segundo mandato”, tal como ocorreu com outros bancos centrais, de outros países, através do processo chamado de “afrouxamento quantitativo” que, em última análise, consiste em emissões maciças de papel moeda. Sob pena de a crise de crédito e a recessão se agravarem.


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