QUAL É O PREFIXO DO TELEFONE DO CHEFE DO ESTADO ISLÂMICO ?

Contam, a título de gracejo, que o ex-Secretário de Estado Henry Kissinger costumava indagar sobre para qual telefone ligar quando precisava falar com o principal responsável pelos Assuntos de Estado da Europa. A frase atribuída a ele é: “A Europa ? Qual é mesmo o prefixo do telefone” ?

Hoje, especialmente depois do Euro – que equacionou, institucionalmente, a paz perpétua do Abbé de Saint-Pierre e de Kant – isso mudou, embora esteja em curso um retrocesso no qual François Hollande, com prestígio popular em alta, tem um ( triste ) papel relevante. Resta saber, porém, qual é o prefixo do telefone do Estado islâmico, que os franceses designam, pejorativamente, de Daesh.

Com base numa interpretação radical do Islã esses doidos – como os chamamos no Ocidente – queiramos ou não criaram um esboço de Estado, subordinado a uma ordem jurídica. Eles são mais Estado nacional do que o Estado Palestino, por exemplo; e se parecem, a seu modo, com o Estado do Vaticano, o que o Papa Francisco, de resto, já percebeu, quando insinuou que era preciso conversar com eles.

Dizem que o Estado Islâmico não admite conversar. É provável. Mas Kadafi queria conversar, e conversava, e não adiantou. Também Saddam Hussein. Sem falar em Mahmud Abbas, que já está velho e cansado, e daqui a pouco morre sem que Benjamin Netanyahu tenha se dignado a lhe dar a mínima ( mas merecida ) atenção. Ou seja, Hollande e Putin também não querem conversar com o Estado Islâmico. Porque o faroeste é global, como escreve no Globo a excelente jornalista Dorrit Harazim.

A conclusão do artigo da jornalista é que o mundo ocidental – e os seus aliados no Oriente Médio –  privatizaram as forças armadas, oficializando o sistema mercenário moderno ( que é título do livro de Sean McFade, a que Dorrit se refere em seu artigo ). Agora, pelo visto, não há, apenas, o complexo industrial-militar, do qual falava Eisenhower ( e que gerou um livro famoso na minha geração, de Fred Cook ). Há, para nutri-lo, os serviços internacionais de ação mercenária, ou o mercenarismo mundial, no qual há, inclusive, muitos latino americanos, embora nenhum brasileiro.

Quem tal se combinarmos dar um número de telefone para o Estado Islâmico e outro para o Estado Mercenário ? Será que o mundo todo não ficaria melhor ?


Deixe um comentário

Seu e-mail nunca será publicado.