LEMBRANDO DO COLÉGIO SÃO FERNANDO

O antigo colégio São Fernando, na rua Marquês de Olinda no Rio de Janeiro, que não existe faz tempo, foi assim denominado pela educadora Lúcia Magalhães, sua fundadora, em homenagem ao pai, Fernando Augusto Ribeiro de Magalhães, nascido nesta cidade em 18 de fevereiro de 1878 onde faleceu, com cerca de 66 anos de idade,  em 10 de janeiro de 1944.

Fernando Magalhães era um grande médico obstetra, professor da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, e dá nome, atualmente, a diversas instituições, médicas ou não. Era um brilhante orador e homem de mente aberta. Foi membro da Academia Brasileira de Letras.

Na sua época, quando vigia o Código Civil de 1917, o Direito de Família brasileiro ainda era muito atrasado, impondo, injustamente aos filhos, os equívocos sexuais dos pais, pelos quais eram culpados. No capítulo da filiação, por oposição à família legítima, as crianças “ilegítimas” eram designadas, conforme o caso, pelos nomes rebarbativos de adulterinos, incestuosos ou espúrios, epítetos que os acompanhavam, doloridamente, até a morte.

Essa situação mudou, completamente, graças ao trabalho parlamentar de Nelson Carneiro. Antes dele, contudo, também devemos muito às lições do médico Fernando Magalhães, autor de uma máxima sobre a família, da qual poucos talvez se recordam mas ficou-me sempre guardada na memória, e quero agora relembrá-la:

“Todo filho é legítimo, toda mãe é verdadeira, todo pai é responsável”

É bem provável que o exemplo de grandeza desse homem, pai da d. Lúcia,  tenha servido de inspiração para o excelente humor –o alto astral, vá lá – de tantos alunos e alunas do São Fernando com os quais venho convivendo ao longo da minha vida…


17 comentárioss até agora

  1. Paulo Szarvas abril 5, 2017 6:16 am

    Já diz o hino do Colégio o seguinte: “Nesse alegre e feliz São Fernando, que aos jovens acolhe a sorrir, o saber vai clareiras abrindo, o dever vai as almas formando.”

    Provavelmente foi o único Colégio Gestaltiano do Rio, numa época em que só se seguia Montessori ou Piaget.

    No mais como ex-aluno, me vi feliz com seu texto.

  2. Andrea abril 5, 2017 5:58 pm

    Estudei no Colégio Nize Cardoso em Botafogo, igualmente inesquecível e que formou muita gente boa e atuantes em diversas áreas. Familiar, fundado por ex-professores do Bennett, que também fundaram o Sarah Dawsey era, junto com o Souza Leão, uma das poucas instituições de ensino tradicional que “recebia” alunos filhos de pais desquitados. Temos saudades de tudo que se relacionava a ele e até hoje mantemos contato com os professores que na época eram jovens iniciantes na carreira de docentes e nossos colegas. Temos, inclusive, grupo aqui no fb.

  3. Eduardo de Farias abril 6, 2017 8:47 pm

    Muito devo a D. Lucia Magalhaes. Trouxe para a pratica a frase do pai. Leitura agradavel que interrompe o corre-corre nosso de cadaa dia.

  4. Claudia Renault dezembro 25, 2017 6:36 am

    Estudei no colégio São Fernando na turma da Olguinha, neta da d Lucia Magalhães. Isso foi cerca de 1964 e tenho todas as fotos de turma com os nomes atrás. Só me encontro com uma coleguinha dessa época, por uma coincidência da vida que nos aproximou, já formadas. Procurei alguns no face mas os nomes devem ter sido mudados e não achei. Foram apenas 4 anos pq fui fazer o admissão no Sta Ursula e lá concluí o 2o grau. Gostaria de saber como estão meus colegas dessa época…

  5. Fred Woods de Lacerda Junior março 5, 2018 9:17 pm

    Num impulso não muito explicável, dei uma busca online sobre o Colégio, e aqui agora me encontro, com prazer. O Colégio foi um dos lugares mais marcantes de minha vida peripatética. Estive lá entre 1958 e 1963, enquanto meus pais estavam no exterior e antes de mudarmos para Belo Horizonte. Me lembro com grande saudade das aulas de latim (que adorava), desenho, e francês (Mlle de la Carapebuche?). Adorava D. Lucia, que sempre me provocava sorrir, quando minha timidez me engasgava… Adorava tambem a casa, que tinha sido de uma colega de minha mâe, no Sion (Thereza, sobrenome Castello Branco, eu acho). Me lembro bem de minhas salas de aula, no predio novo subindo o morro, e as aulas de latim e frances no anexo ‘a casa principal. De colegas de primario me lembro do Sergio, Carlos Eduardo, Paulo, Claudia, Monique. Por ter voltado a Minas e avançado um ano, quando voltei ao Rio, em 1961, pulei um ano para o quinto, com novo grupo de colegas, inclusive Eduardo. Por ter sempre vivido em muitos lugares diferentes na minha vida ate’ o final da adolescencia, o Colegio e o Rio de Janeiro, terra natal de minha familia (e minha verdadeira “Terra Patria” emocional) representam um dos periodos mais estaveis, emocionalmente, de minha vida. Grandes saudades, mesmo. Grato a Letacio Jansen por esta oportunidade.

  6. Eduardo Jardim dezembro 18, 2018 4:38 pm

    Fred, a mestra de francês a que você se refere é a inesquecível D. Francisquinha, que as paredes do São Fernando alcunharam de Marquesa de Carapebus. Foi uma professora muito longeva, havendo lecionado no CSF até pouco mais de seus 90 anos. Um ano antes de se aposentar, ela foi objeto de uma extensa reportagem no jornal “O Globo”, publicada no dia dos professores. Se você tiver curiosidade, convido-o a participar do grupo “Colégio São Fernando” no Facebook, espaço onde podem ser vistos comentários e fotos sobre “Mademoiselle de la Carapebuche”.

  7. LUIZ DIOGO DE VASCONCELLOS março 9, 2019 4:54 am

    Olá
    Eu estudei no CSF de 1952 a 1954. Da terceira à quinta série, o que foi uma linda eternidade na época.
    Já fiz parte, mais recentemente, de um grupo de ex-alunos pela internet e depois perdi o contato.
    Como retorno? Só pelo Facebook?
    Abraços.
    Luiz Diogo.

  8. Niely de Freitas Leyendecker outubro 28, 2019 8:43 am

    Olá!
    Sou pesquisadora da UERJ sobre a Educação secundária na cidade do Rio de Janeiro, entre as décadas de 1930 e 1950. Busco fontes sobre a Sr. Lucia Magalhães, pois durante minhas pesquisas, vejo com bastante relevância seu papel na consolidação educacional do Rio de Janeiro e do Brasil, porém é grande o silenciamento em relação à sua atuação.
    Gostaria muito de estabelecer contato com pessoas que com ela conviveram e tenham algum tipo de fonte documental sobre ela.
    Deixe meu email e se alguém tiver contato de um familiar da Sr. Lucia Magalhães, com a sua bisneta, Sr. Olguinha, citada em comentário acima, ficaria muito grata.

    nielyfreitas@yahoo.com.br

    Grata!!!!

  9. Luiz C. M. Amaral junho 10, 2020 5:54 pm

    Fui do Colégio S. Fernando de 54 a 59. Nessa época a secretária geral era a Nita Cascardo Viana. Uma curiosidade: o proteiro do colégio era o famoso ‘Maricá’, querido por todos, alunos, professores e funcionários. Os professores dos quais me lembro os nomes eram:
    Pádua e Maria Ruth, Português; D. Francisquinha, de francês; Miss Mary, de inglês; Dona Marina, de desenho; Dona Laura, de canto/música; Avelar e Eloy, de matemática; Maria Elisa, de ciências; Franz Dobbert, de latim; Tia Zeca, Sebastião e Newton de história; Cantuária e Dona Eliete, de geografia; Dona Vera, de química; José Miguel e Ademar, de física; Lino, de biologia; Lincoln, de ginástica masculina.
    Não me lembro do nome da professora de espanhol.
    D. Lúcia, nessa época. morava na Ladeira do Ascurra, em Laranjeiras/Rio.

  10. Luiz C. M. Amaral junho 10, 2020 6:01 pm

    Na minha época estudaram no SF alunos famosos como Carlos Imperial, Nei Latorraca e Renata Sorrah.

  11. Aline Canejo dezembro 10, 2020 12:11 pm

    Vi a reprise da novela “Vale Tudo” no Globoplay esses dias, e há um diálogo da Renata Sorrah com o Dennis Carvalho sobre o Colégio São Fernando (parei aqui neste blog para obter informações sobre a escola… rs). Agora que saquei que, provavelmente, era uma brincadeira com o fato de a Renata ter estudado lá. 🙂

  12. Eduardo Jardim Freire junho 3, 2021 3:00 pm

    Estudei no Sáo Fernando em 1961 e 62, quando terminei o Científico..Foram meus professores, entre outros, Nelson Tolipan (Inglés), Lino (Biologia), Cantuária ( Geografia), Vera ( Química), Ademar (Física),Lausimar Laos (Portugués), d. Francisquinha ( Francés). A coordenadora era Nita Cascardo Viana, também professora de Psicologia e que morava no Posto 6, próximo á minha casa, daí muitas vezes ter pego carona em sua kombi, que dirigia enquanto fumava.

  13. Eduardo Jardim Freire junho 3, 2021 3:07 pm

    Adicionalmente, quero incluir entre os notáveis mestres a excepcional Maria da Penha, professora de Química também nos colegios Andrews e Sáo Paulo, este em frente ao prédio em que morava com meus pais, na Joaquim Nabuco. E havia um inspetor, Ciro, baixinho que incentivava o futebol e o vólei. Conseguimos com dona Lúcia que autorizasse a construçáo de quadra de vólei, inaugurada com jogo contra time do Colegio Santo Inácio.

  14. Jose Roberto Lisboa dezembro 14, 2021 10:04 pm

    Estudei no Sao Fernando em 1976 ate 1978. Tenho fotos do Colegio e da turma caso alguem se interesse.

  15. Rafael Gonzalez Perez abril 5, 2022 3:22 pm

    Não vamos esquecer do Aramis, o melhor professor de física do Brasil.
    Estudei nos internatos São Bento e São José. Desaguei no São Fernando em 1962.
    No primeiro dia de aula fui acolhido pelo amor de pessoa que foi Helena Maria.
    CSF is alive (em nós)

  16. Cesar Romero Batista outubro 18, 2022 6:32 am

    Estudei no CSF do Jardim de Infância ( Professora Magali) até o terceiro ano científico. Toda minha trajetória escolar. Devo a esse colégio a boa preparação que obtive, Guardo comigo as boas lembranças dos excelentes professores e colegas amigos que tive oportunidade de conviver.

  17. Luiz soares brandao filho março 25, 2023 6:45 pm

    Luiz Diogo.
    Fomos contemporâneos e da nesma turma.
    Forte e saudoso abraços

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