QUEM MATOU O CORONEL NAZAREH CERQUEIRA?

Lembrei-me do Coronel da PM do Rio de Janeiro, Carlos Magno Nazareth Cerqueira, ao ler, na coluna de Amir Labaki, no Valor, a propósito do documentário “O Rio do Medo”, do diretor Ernesto Rodrigues, o seguinte comentário:

“Rodrigues não aborda diretamente a falência da política de segurança pública no Rio, mas recupera por meio de seus entrevistados alguns momentos de avanço. As duas gestões como Secretário da Política Militar do coronel Carlos Magno Nazareh Cerqueira, durante os dois mandatos como governador de Leonel Brizola ( 1983-1986 e 1991-1994 ) surgem como marco de modernização e sofisticação da PM e de sua aproximação com a sociedade civil, especialmente nas comunidades. Era o germe da UPPs ( Unidades de Polícia Pacificadora ) a partir de 2008 …”

Cerqueira e eu tornamo-nos bons amigos em 1986 quando eu era Procurador Geral do Estado e ele Comandante da Polícia Militar. Em sua  gestão como Secretário de Justiça, o Procurador  Eduardo Seabra Fagundes teve a iniciativa de formar uma espécie de Estado Maior da Segurança no Rio de Janeiro, do qual a PGE fazia parte, juntamente com as Polícias Civil ( da qual Nilo Batista era o Secretário ) e Militar ( chefiada pelo Cel. Cerqueira), o Ministério Público ( então comandado pelo Procurador de Justiça Luis Roldão de Freitas Gomes ), a Defensoria Pública ( chefiada pelo advogado José Carlos Tórtima ), Bombeiros, Defesa Civil e a participação informal do Poder Judiciário, nas pessoas  do Presidente do Tribunal do Rio, Paulo Dourado de Gusmão, e do Desembargador Thiago Ribas Filho. Viajamos, em grupo, pelo interior do Estado, ocasião em que eu fui “derrancho” do Cerqueira, e pude conhece-lo bem, aprendendo, desde então, a admirá-lo.

Se o leitor pesquisar no Google vai ver inúmeras referências ao Cel. Cerqueira. Ele foi assassinado, em 14 de setembro de 1999, na Avenida Beira Mar, na porta do prédio onde então funcionava o Escritório de Advocacia de Nilo Batista, membros, os dois, do Instituto Carioca de Criminologia. O sargento Sidney Rodrigues, acusado do crime, foi executado logo em seguida com um tiro na nuca, por um suposto segurança da Terma Aeroporto ( que ainda funciona no térreo do Edifício ) mas o evento nunca foi cabalmente esclarecido.

Ocorreu-me, por intuição – que o meu amigo Álvaro Esteves afirma ser uma verdadeira forma embrionária de conhecimento – assim que eu soube do assassínio da Vereadora Marielle Franco que ambos podem ser atribuídos às ordens do mesmo grupo muito fechado que atua no Rio contra a política de Direitos Humanos.


1 comentário até agora

  1. Alvaro Esteves março 30, 2018 3:25 pm

    Meu temor, caro Letácio, é que um modelo semelhante ao usado no episódio do Cel Cerqueira possa estar agora sendo executado, no caso Marielle: os que cometeram o crime já terem sido também executados. Estamos, ainda, diante de uma Força que se mostra, mais uma vez, incontrolável.

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