A PALAVRA “DESINDEXAÇÃO” VOLTOU À PRIMEIRA PÁGINA DOS JORNAIS

Encontrei, recentemente, no auditório da OAB-RJ, um velho amigo que me saudou, apresentando-me à esposa como um lutador contra a correção monetária, uma causa, segundo ele, infelizmente perdida. Outra amiga, mais próxima, acha a mesma coisa: falar em desindexação, no Brasil, não teria sentido, pois a indexação compulsória já se instalou entre nós definitivamente.

Eis que a manchete principal do jornal Valor de hoje estampa a seguinte notícia: “ Guedes quer desindexar despesa para cumprir teto.” Ou seja, a correção monetária ainda existe, e pregar o seu fim não é perseguir um sonho impossível.

Lendo com atenção o teor da notícia percebe-se que o propósito do futuro Ministro da Economia é restabelecer, ainda que parcialmente,  o princípio nominalista ( o que, diga-se de passagem, sem querer chutar cachorro morto, o Partido dos Trabalhadores, desde Antonio Palocci até Guido Mantega, nunca manifestou desejo de fazer. Apenas Joaquim Levy tratou expressamente do tema, mas logo foi demitido por Dilma Rousseff).

O nominalismo aparece na entrevista do futuro Ministro da Economia sob diferentes denominações: primeiro, “trava nominal”; depois “a desindexação seria uma medida extremada para corrigir essa situação” ( manutenção do teto constitucional dos gastos ); mais adiante “em termos nominais” ( não precisa cortar as despesas ) e, enfim, “congelamento do gasto nominal”.

A desindexação, portanto, volta a ser cogitada ( mesmo porque são tantas as disfunções atuais, os remendos necessários, as contradições, as dificuldades tributárias, as brigas do STF para ter seu reajuste de 16,38%, que fica inviável sair da bagunça sem restabelecer a ordem monetária).

O que não quer dizer que será fácil implementar a desindexação,  nem que ela, necessariamente, vá ocorrer. Mas quer dizer que a matéria voltou à primeira página dos jornais e que a correção monetária, a despeito da URV e do Plano Real, ainda não acabou. Como lembrava, há alguns meses o próprio Guedes, ela é uma forma de “hiperinflação adormecida”, que está sendo despertada para ser, afinal, quem sabe, descartada.


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