DESAPERTANDO PARA A ESQUERDA

Não se preocupem, conservadores: a esquerda do título acima não é a ideológica. Desapertando para a esquerda é um desses jargões que a gente aprende quando faz serviço militar obrigatório. No caso brasileiro, é o que todos nós, de direita, de centro e de esquerda, estamos permanentemente fazendo, lançando sobre os ombros já carregados dos menos favorecidos os benefícios que mantemos.

Há uma reportagem no Valor, de Alessandra Saraiva, com a seguinte manchete:

“ Reajuste de ônibus eleva custo de vida da baixa renda.”

Esse reajuste é compulsório. Aqui no Brasil é assim que as coisas funcionam: reajustamos, reajustamos, pura e simplesmente  reajustamos. Reajustes sem verdadeira causa. O reajuste é a sua própria causa, como quando a serpente come a própria cauda.

Lembram-se dos protestos de 2013, do Movimento do Passe Livre que, pouco mais tarde, impulsionaram – mesmo sem querer – o Movimento Brasil Livre, e a direita ganhou, pela primeira vez, o comando das ruas, sem que o pessoal do PT percebesse? O seu motivo eram os reajustes. Eles queriam a catraca livre mas o que os instigava era o reajuste sem causa.

Por que os ônibus reajustam suas tarifas? Ora, porque têm que reajustar, senão …. senão o quê? Senão, nada. Mas precisa haver reajuste.

É claro que são sempre os mais pobres que sofrem, com o reajuste dos ônibus, do gás, da parca energia elétrica: enfim, das tarifas de serviços de utilidade pública em geral. Sem que esses serviços melhorem. Eles, ao contrário, pioram. Então, por que o reajuste?

A resposta, a meu ver, é a seguinte: porque o reajuste é uma das formas de desapertar para a esquerda. Quando reajustamos os custos dos mais pobres ganhamos com isso. Há um remédio: deixar de tornar o reajuste compulsório. Ou seja, acabar com a cultura da correção monetária.


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