A GLOBO NEWS E O TETO DE GASTOS

Os comentaristas da Globo News, que desempenharam nos últimos meses um papel tão importante em defesa da Democracia no Brasil, estão preocupados com o Teto de Gastos que, aparentemente, não sabem em que consiste. Acabei de assistir, há pouco, as ponderações do valoroso Fernando Gabeira, em que a visão política atrapalha a compreensão do problema monetário envolvido no referido Teto.

É preciso lembrar, desde logo, que o Teto de Gastos não é, apenas, um assunto exclusivo dos políticos ou dos economistas e agentes do mercado. O mundo monetário é, também, um universo jurídico-institucional que é preciso decifrar.

Do ponto de vista jurídico o Teto de Gastos de 2016 foi uma espécie de Reforma Monetária pela metade, afetando, apenas, as despesas orçamentárias. Esse procedimento nunca deu certo e foi, por isso, várias vezes contornado. Na prática, ele tirou dinheiro da área social em proveito das receitas do governo e dos particulares que são credores do governo.

Não se justifica, portanto, o medo do Gabeira quando o presidente eleito afirma que está havendo sacrifício de pessoas para manter a estabilidade. Não que a estabilidade não seja positiva mas ela não pode depender do sacrifício das pessoas pobres que acabam se transformando em pessoas miseráveis. Alegar o contrário – que é preciso que várias pessoas passem fome para que a Economia caminhe bem – é comportar-se com um “sado-economista”, para usar um neologismo criado pelo Professor Paul Krugman.

Afirmar que o Teto de Gastos foi mal- feito não quer dizer ser a favor de uma gastança irresponsável. Não foi isso que o presidente eleito disse. Quem quis entender assim procurou distorcer a realidade.

Os jornalistas da Globo News, que resistiram às investidas antidemocráticas da extrema-direita precisam refletir um pouco para não fazer, a esta altura, o jogo dela. Devem ter cuidado para não engrossar o coro dos negativistas, como se fossem um deles.


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