UMA NOVA PAUTA DE DISCUSSÃO

Vínhamos presos, nesses últimos dias – pelo menos eu estava – à preocupação com caminhões bloqueando as estradas e extremistas na porta de quartéis, pelo Brasil inteiro, negando a derrota de Bolsonaro o qual, na sua reclusão no Alvorada, comandava o espetáculo.

Eis que o presidente eleito, ao defender uma ruptura com o sado-economismo do atual Governo, impôs a sua própria pauta: passamos a debater se os pobres devem continuar a transferir renda para o quinhão mais rico da sociedade mesmo às custas de passar fome ou se a fome deva ser banida de novo do País.

Segundo Claudia Safatle, na sua coluna do jornal Valor de hoje, intitulada “Ideias de Lara Resende são música para governo Lula”, a base teórica da afirmação aparentemente descuidada de Lula são conceitos defendidos pelo Professor André Lara Resende expressas em alguns textos publicados, dentre os quais “Diretrizes de Políticas Públicas para 2023 – Elementos para uma estratégia de retomada do crescimento sustentável e inclusão social”, elaborado por economistas do CEBRI sob coordenação de Lara Resende.

Não foi, portanto, um rompante de Lula, mas um ato político capaz de mudar o rumo anterior da prosa.


1 comentário até agora

  1. Paulo Szarvas novembro 12, 2022 10:15 am

    Trata-se de ponderar sobre o dever do Estado versus o poder do Estado. Desde Rousseau em suas Oeuvres Complètes. Paris: Gallimard, Volumes I, II, III et IV – 1959, 1961, 1964, 1969, vimos nos deparando com essas dúvidas. Assiste razão a Rousseau quando afirma que o Estado/Governo se estatuiu a partir da prevalência do rico sobre o pobre. Destaca isso como a desigualdade moral ou política, que tem destaque numa convenção, ou aprovação dos homens na sociedade aos vários privilégios desfrutados por alguns, em prejuízo de outros, como serem mais ricos e poderosos e, ainda, por imporem obediência aos materialmente destituídos. Exemplifica o deixar da vida simples, ao descobrir a melhor aceitação social entre o belo e o feio, também outros atributos enfim, a partir daí valores de posses passam também a ser ressaltados. Diz Rousseau: “Cada um começou a olhar os outros e a desejar ser ele próprio olhado, passando assim a estima pública a ter um preço. Aquele que cantava ou dançava melhor, o mais belo, o mais forte, o mais astuto ou o mais eloquente, passou a ser o mais considerado, e foi esse o primeiro passo tanto para a desigualdade quanto para o vício; dessas primeiras preferências nasceram, de um lado, a vaidade e o desprezo, e, de outro, a vergonha e a inveja.” (ROUSSEAU, 1964, p. 169/170).Portanto, os regimes políticos surgidos a partir desse horizonte têm como característica a desigualdade. Nessa linha de pensamento nasce o luxo, como outra emanação do poder, mais uma vez sustentado pelo Estado, que incentiva a desigualdade. Em paralelo ao mundo atual, veja que o conceito de celebridade está totalmente agarrado ao exagero do comportamento frívolo e consumista. Resumindo, acho muito oportuno se rediscutir tudo, não se deixando ao “Mercado” a solução do problema, uma vez que temos visto que a exclusão só aumenta.

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