BRASILEIRO, PROFISSÃO: ESPERANÇA

Alguém ainda lembra desse título de um musical com texto de Paulo Pontes de 50 anos atrás?

Pois é: eu, como bom brasileiro,  embarquei nessa esperança diante do futuro Governo Lula de cujo começo todos nós estamos tendo motivos para desconfiar.

Há dois pontos sobre os quais gostaria de dar a minha opinião: primeiro, sobre a falta de entusiasmo perante a escolha ( ou a não-escolha ) de alguns ministros e ministras; segundo, sobre o slogan “precisamos colocar o pobre no Orçamento e o rico no Imposto de Renda”.

Lula está compondo um ministério com pessoas de sua confiança, desconsiderando a força eleitoral da frente ampla que o elegeu. Os políticos desse jaez usualmente agem assim.

Lembro-me do primeiro Governo Brizola, no Estado do Rio de Janeiro, em que foram escolhidos secretários pouco conhecidos mas extremamente leais ao seu chefe. Agora, é a mesma coisa, para decepção de quem o apoiou na campanha e acreditava poder reviver a mesma aliança ao participar do novo Governo. Muitos políticos importantes não petistas foram simplesmente usados e estão sendo agora descartados, gerando muita tristeza.

Quanto aos pobres no Orçamento trata-se, na verdade, de um bom slogan, mas a realidade é diferente. Precisamos colocar os pobres no Orçamento mas o  problema não é apenas orçamentário. Precisamos retirar os pobres do regime que, compulsoriamente,  transfere a renda deles para os ricos.

Em face do Orçamento podemos ser desiguais, para que  uns usufruam mais verbas do que outros. Em face da Moeda nacional, todavia, pelo princípio da isonomia, devemos ser todos iguais. Mas vivemos num País que, desde 1964, tem duas moedas – uma das quais é a correção monetária. Para reduzirmos as nossas desigualdades precisamos superar essa dualidade e voltarmos a ter uma única moeda nacional, extinguindo completamente a outra.

Aliás, por trás do alarido que estamos ouvindo, tem muitos defendendo, sorrateiramente, a correção que os beneficia.


2 comentárioss até agora

  1. letacio dezembro 17, 2022 11:29 am

    Sobre as críticas que estão sendo feitas às escolhas de Lula é importante o alerta do jornalista Muniz Sodré, na sua coluna de hoje, 17.12.22, da FSP: “Tanto que, logo alterada pelas urnas a liderança política, as elites caladas por quatro anos horripilantes mostram-se subitamente ativas em cobranças quanto ao rosto do novo governo. Nada estranho ao jogo da democracia, desde que essa “atividade” esteja igualmente alerta para os fumos antidemocráticos remanescentes”.

  2. letacio dezembro 19, 2022 11:16 am

    Ainda a propósito: o nome “juros sobre capital próprio” é uma nova forma de denominar a correção monetária no sistema bancário.

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