A RELEVÂNCIA POLÍTICA DA MOEDA COMUM SUL-AMERICANA

O debate público sobre a moeda única na América do Sul precisa se livrar de três obstáculos: 1) o imediatismo; 2) o superficialismo e 3) o economicismo. A questão não é imediata, está longe de ser superficial e ultrapassa o âmbito do saber dos economistas. Ela é institucional e política.

A moeda única não é, apenas, um meio de pagamento nem, tão somente, uma medida de valor. Ela é uma ordem internacional, similar às ordens jurídicas internacionais em senso estrito. A linguagem dessas organizações varia: nos casos, por exemplo, do Mercosul e da Celac as normas jurídicas que as estruturam se expressam, essencialmente, através de palavras. As ordem monetárias – como o Euro e o futuro Sur – revelam-se, prioritariamente,  por meio de números. Todas as normas desses órgãos, porém, visam disciplinar a conduta dos Estados Nacionais que os compõem isto é, das pessoas que constituem os domínios pessoais de validade desses Estados.

Não devemos desperdiçar a oportunidade que esta discussão pública está abrindo com opiniões precipitadas ou relativas a interesses econômicos de curto prazo. O problema das moedas comuns é mais profundo e exige maiores reflexões.

Há muitas similaridades entre o Euro e o Sur, como  há grandes diferenças. Não existe, entre nós, um Marco alemão que deu lastro ao Banco Central Europeu. Mas estamos diante, em ambas as hipóteses, de uma moeda estrangeira dominante cuja eficácia estrangula nossas moedas nacionais.

Assim como a Alemanha e a França foram decisivas para a implantação do Euro, Brasil e Argentina devem ser pioneiros na elaboração do Sur. Os dois países da Europa viveram, entre si,  um século de conflitos armadoso que felizmente não aconteceu conosco. Todavia, no Plano Estratégico Nacional desses vizinhos a possibilidade de guerra esteve presente durante muitas décadas.

Não é verdade que o Real brasileiro seja uma moeda maravilhosa frente ao Peso. Os argentinos dolarizaram, de fato, a sua Economia, o que os prejudica como Nação. Mas nós inventamos a correção monetária internalizando o mesmo problema que é a supremacia do dólar norte americano face às nossas moedas nacionais.

Convém lembrar que o Sur não será uma ameaça ao dólar, assim como o Euro convive com a moeda americana. Ele será uma nova ordem monetária que pode beneficiar a todos. No meio desse debate que agora se trava, para que ele não se perca em ninharias e seja mais proveitoso, convém pensar nisso….


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