O CRUZEIRO E O “SUR”

Na verdade “Cruzeiro” e “ Sur” são nomes que já estão ligados na designação da mais conhecida constelação de nosso hemisfério; mas a sua nova reunião, nesta epígrafe, tem seu sentido. É que, ao ler o seguinte trecho de uma crônica de MACHADO DE ASSIS sobre o mil réis, orgulhei-me de vir defendendo, há alguns anos, a denominação “SUR”, para a moeda única regional do MERCOSUL.

Diz, com efeito, o grande escritor brasileiro em sua crônica de 30 de março de 1889 a certa altura:

“Tem a Inglaterra a sua libra, a França o seu franco, os Estados Unidos o seu dólar, por que não teríamos nós nossa moeda batizada ? Em vez de designá-la por um número, e por um número ideal – vinte mil-réis – por que lhe não poremos um nome – cruzeiro – por exemplo. Cruzeiro não é pior que outros, e tem a vantagem de ser nome e de ser nosso. Imagino até o desenho da moeda; de um lado a efígie imperial, do outro a constelação … um cruzeiro, cinco cruzeiros, vinte cruzeiros. Os nossos maiores tinha os dobrões, os patacões, os cruzados, etc, tudo isso era moeda tangível; mas vinte mil-réis ….”

Embora MACHADO DE ASSIS incida no equívoco, muito comum até hoje de confundir a moeda (valor ) e a moeda peça monetária ( instrumento produzido pelo ato da emissão ) e se abstraia, também por engano, que os “mil réis” não consistiam apenas em números ( porque “réis” é um nome, e provém da unidade monetária “real” instituída em Portugal, em 30 de agosto de 1427, por d. João I ) é interessante constatar como o notável escritor previu, com grande antecedência, o nome que seria, no futuro, o da nossa moeda nacional.

Mencionado, pela primeira vez, oficialmente, no decreto n. 5.108, de 1926, referendado por GETÚLIO VARGAS ainda como ministro da Fazenda o Cruzeiro foi, depois, adotado como o dinheiro brasileiro, por força da Reforma Monetária de 1942, empreendida pelo mesmo VARGAS, já como presidente da República, pelo Decreto lei n. 4.791, de 22 de agosto daquele ano.

De minha parte tenho defendido que a moeda única regional comum do MERCOSUL seja batizada como “SUR” o que, contudo, reconheço, é uma proposta que talvez não se converta facilmente em realidade, especialmente porque depende de os países do MERCOSUL deliberarem, antes, ter uma moeda comum, o que eles não conseguiram, até agora, sequer seriamente debater.

De qualquer modo, o trecho acima transcrito da crônica do grande MACHADO não deixou de me dar um certo alento, e a esperança de que o “Sur” substitua, um dia, os nossos reais, pesos e bolívares, e una, um pouco mais, os países da América do Sul.

Em 16.1.08

OBSERVAÇÃO: Anteriormente a esta postagem encontrei, também, nas mensagens publicadas neste blog, um texto de 2007 em que digo propor ( há muito tempo ) a denominação “Sur” . A localização da primeira vez em que fiz essa proposta dependerá de uma pesquisa mais meticulosa.


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