FIM DE CICLO

O texto de Maria Cristina Fernandes, no Valor Econômico de hoje, intitulado “Êxitos pós 8/1 turvaram visão de Lula sobre BC”, ao mostrar os desafios políticos do Presidente na sua peleja contra o Banco Central, é quase perfeito mas se abstrai, a meu ver, do momento histórico em que vivemos no Brasil.

Lula está tentando liquidar o último reduto do Ciclo do Golpe militar de 1964 que se concentra, hoje, no Banco Central do Brasil, e gira em torno da figura daninha de Roberto Campos Neto. Ele não tem alternativa: ou acaba com a moeda paralela, Selic, ou devolve o Governo para a extrema-direita. Se me permitem uma comparação histórica, o mesmo que aconteceu com Roosevelt, em 1933, quando extinguiu a cláusula-ouro, nos EUA.

Vivemos, há anos, numa depressão que atinge dezena de milhões de brasileiros que elegeram o novo Presidente da República derrotando não só Bolsonaro como Paulo Guedes, Adolfo Sashida e Roberto Campos Neto. O único remanescente, com mandato vigente, é RCN, que precisa ser destituído e, segundo espero, vai ser.

Há uma teoria econômica por trás do que Lula está fazendo, a Teoria Monetária Moderna, defendida por André Lara Resende, que está no Governo, com uma função invisível no BNDES. Segundo essa teoria um País não precisa temer a sua dívida interna desde que ela seja emitida em moeda nacional.

No caso do Brasil, as nossas dívidas pública interna e a dívida privada são em reais, corrigidas monetariamente pela Selic, que é uma obrigação monetária … em reais. O que Lula precisa fazer – e ele sabe disso – é acabar com o reajustamento dessas dívidas, o que depende de um ato seu que tem vigência imediata.

É claro que disso resultará um choque econômico imediato. Ele tem que ser provocado logo, na esteira do que Maria Cristina denomina “êxitos pós 8/1”. Logo depois, mesmo que os patrimônios hoje expressos na “moeda” correção monetária seja corroídos, essa perda será absorvida, e o País poderá caminhar para a frente e crescer.


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