POUR ÉPATER LE BOURGEOIS

Depois de ter dito que chamar a Venezuela de ditadura era, apenas, uma “narrativa” o Presidente Lula se tornou uma espécie de Gilmar Mendes,  daquela época em que de todos os lados todos o condenavam, inclusive eu. Assim, mesmo discordando veementemente do Lula, dei tratos à bola para entender as suas razões e o que ele tem a perder, ou já perdeu, com isso.

Imaginei-o como ainda um líder sindical que agora receia não ter tempo suficiente para mudar o que vê ao seu redor e cheguei a algumas conclusões.

Primeiro, ele tem pouco a perder. Não lhe interessa, por exemplo, mediar os conflitos da Venezuela com os Estados Unidos pois pretende acabar, isso sim, com algo muito pior, uma  guerra na Europa, prenuncio de uma catástrofe atômica que está a poucos passos de nós.

Segundo, esse mal estar que a Venezuela nos causa vai desaparecer dentro em breve diante da riqueza imensa das suas reservas de petróleo que servirão para o Ocidente enfrentar a abundância das reservas russas, e seu caso passará a ser, de fato, uma narrativa histórica.

Para uma pessoa que conseguiu ser legitimamente eleita por três vezes presidente de uma grande Nação, que circula com desembaraço entre as lideranças civilizadas do Século XXI, de igual para igual, como se fosse aquele operário que conversava com os grandes empregadores brasileiros; que se considera vítima de uma prisão ilícita, para dar, em seguida,  uma volta por cima de seus algozes  e voltar a ser presidente, quase tudo deve parecer-lhe possível.

Sem tempo a perder é preciso espantar-nos – aos burgueses – para dar o gigantesco  passo que ele está vislumbrando: fazer do Brasil um País monetariamente soberano.

Ele age, enfim,  como os poetas decadentes da última parte do século XIX, e choca, de propósito, a burguesia.


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