O BRASIL, AFINAL, ESTÁ FAZENDO AS CONTAS

Nascido em 1935, fui criado numa cultura monetária nominalista em que meu pai dizia: “as boas contas fazem os bons amigos”. Já meus filhos e netos, que cresceram depois de 1964, sempre viveram sob a égide do valorismo monetário, o qual, enfim, está sendo agora revisto.

A ordem monetária é uma estrutura normativa em que as normas monetárias de nível inferior encontram seu fundamento de validade na moeda nacional. O valorismo tenta inverter essa pirâmide atribuindo ao poder aquisitivo – e à Taxa de câmbio – uma função que não lhes cabe, com a finalidade de quebrar o princípio da isonomia para atuar de forma seletiva e aplicar a moeda estrangeira no plano nacional, violando a soberania monetária.

Há duas grandes linhas de ação para revirar essa “ordem” valorista: 1) extinguir a indexação compulsória ( o que fizeram os nossos fracassados Planos Econômicos ); 2) ou consertar o edifício de baixo para cima, restabelecendo a higidez das normas monetárias de nível individual, o que está ocorrendo atualmente.

O mau hábito nacional de reajustar os preços, automaticamente, segundo índices diferentes em diversos períodos de tempo está dando lugar à uma reorganização financeira, propiciando o retorno a uma contabilidade responsável, que dá ao capital segurança para investir. Então, como afirmou ontem o Ministro Haddad, a política está transformando as finanças, como deve ser.

Na verdade, uma formação criteriosa dos preços tende a restabelecer a ordem, como está acontecendo no Brasil. Chegará um momento em que poderá haver um “choque” do qual resulte o restabelecimento do princípio nominalista. A clientela da correção monetária, nesse instante, vai perder dinheiro. Mas a eficácia do Real – a partir, inclusive, de uma nova arrumação internacional – compensará essa perda.


Deixe um comentário

Seu e-mail nunca será publicado.