A VISÃO CORRETA DE LULA SOBRE O DINHEIRO

Segundo reportagem de Sofia Aguiar no Estadão de hoje, o Presidente Lula afirmou, em cerimônia em Abaetetuba, no Pará:

“… que sua eleição se deve ao “povo pobre trabalhador”, não à elite brasileira. “Eu governo para 215 milhões de brasileiros e brasileiras, mas serão as pessoas mais humildes, vulneráveis que merecem atenção do Estado brasileiro, da prefeitura e dos governadores”, disse. “Uma cidade, um Estado ou um país em que apenas uma minoria da sociedade tem muito dinheiro e o resto não tem nada é um Estado que tem miséria, fome, desemprego, violência, prostituição e muitas vezes é dominado por coisas que a gente não gostaria”, disse. “Mas num país em que, em vez de pouco ter muito dinheiro, se todos tiverem pouco dinheiro, significa progresso, desenvolvimento, consumo, emprego, salário, educação, porque o dinheiro do País precisa circular para que todos possam ter aquilo que eles produzem, acrescentou.

O Presidente está teoricamente correto.

O meio circulante, o dinheiro – as peças monetárias e os títulos de crédito – é, na prática, em todos os lugares,  mal distribuído. Ainda assim, como são normas monetárias, sujeitas ao princípio da isonomia, todas as pessoas devem ser iguais diante dele,  o que não acontece no Brasil desde 1964.

Com efeito, a “moeda” da “revolução” – a ORTN, substituída parcialmente pela atual SELIC – se destina a beneficiar os ricos permitindo-lhes conviver com a inflação para usá-la a seu favor, mediante o emprego sub-reptício do dólar nos créditos de sua titularidade. Quando o dinheiro for igualmente repartido entre as centenas milhões de brasileiros  pobres o resultado final será melhor do que se ele ficar concentrado em pouquíssima mãos de ricos.

É uma ilusão pensar que um País como o Brasil possa imitar o capitalismo norte-americano baseado na super acumulação de riqueza pelos bilionários.

Creio ser inevitável, numa economia de mercado, que haja pessoas e empresas bilionárias. Os governos, contudo, não devem manter uma transferência de renda compulsória a seu favor, como há quase 60 anos acontece no Brasil, porque isso fere o princípio da igualdade perante a Lei e é inconstitucional.

Esse é o significado do pronunciamento de Lula que a reportagem do Estadão, de resto, tenta, nas entrelinhas, desqualificar.


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