OS DESTINOS DOS MOVIMENTOS DE JUNHO DE 2013

Foi em junho de 2013, depois de várias tentativas frustradas – como a do “Basta” e do “Cansei” – que a Direita, afinal, como disse a Paula Lavigne, saiu do armário e foi para a rua, que era toda da Esquerda, o que deu no que deu e culminou com a fase nefasta de Bolsonaro. Ainda assim, o MPL produziu alguns frutos positivos, como o próprio “catrata livre” e a estabilidade dos preços públicos para a qual o Brasil está lentamente caminhando.

Naquela época, influenciado pela minha experiência profissional na área de serviços públicos, eu considerava que era mais lógico cobrar as tarifas diretamente dos usuários do que diluí-las nos tributos de caráter geral, julgando que se tratava de uma decisão técnica. Hoje, porém, ciente de que várias cidades brasileiras adotaram, com sucesso, o passe livre nos transportes urbanos, começo a mudar de ideia.

Quanto à estabilidade dos preços, que considero um princípio a ser perseguido, penso que a política conservadora de Haddad em relação ao chamado arcabouço fiscal está no caminho certo. A maior proeza desse arcabouço foi assegurar o fim do nefando Teto de Gastos, uma Reforma Monetária esquisita, que congelava os investimentos sociais e deixava solta a indexação para os mais ricos. Além disso, é preciso que a ordem jurídica atue, como lhe compete, para dirigir a economia e, para esse fim, precisa ser, efetivamente, uma ordem, a partir da qual o sistema monetário poderá dispor da indispensável previsibilidade.

Ao olhar nos jornais, a foto de uma faixa de protesto “Se a tarifa não baixar São Paulo vai parar” passei a ter a esperança de que os esforços do pessoal do Passe Livre em 2013 não foram inteiramente em vão.


Deixe um comentário

Seu e-mail nunca será publicado.