A VULNERABILIDADE INSTITUCIONAL DO DÓLAR

A moeda é um fenômeno nacional. Não existem moedas internacionais, salvo no caso do Euro, que é uma moeda regional supranacional, emitida por um Banco Central Europeu. As moedas estrangeiras nada mais são do que moedas nacionais emitidas por uma soberania diferente da nossa.

O dólar, contudo, depois da vitória americana na Segunda Grande Guerra, substituindo a libra inglesa, passou a ser considerado uma moeda “internacional”. Acontece que o dólar norte-americano não é emitido por um Banco Central Mundial, que ainda não foi instituído. Ele é, apenas, uma moeda nacional americana, embora respaldado por organizações internacionais, mas não por um banco emissor.

Isso ficou claro recentemente, levando as pessoas a indagar: por que não fazermos comércio internacional com as moedas que nós – os envolvidos nas negociações – emitimos?

Se pensarmos a ordem monetária internacional como uma estrutura de normas que dão sentido ao ato jurídico de emissão perceberemos, claramente, a vulnerabilidade institucional do dólar. Ele não fundamenta a validade das moedas nacionais de outros países nem das obrigações monetárias nelas denominadas.

Essa situação de fragilidade fica mais clara quando os suportes das moedas nacionais deixam de ser de papel e se tornam digitais. A circulação internacional das moedas nacionais é muito mais rápida e fácil, o que enfraquece as normas organizacionais que protegem o dólar.


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