LEVANDO A MOEDA A SÉRIO

Parafraseando o título do famoso livro de Ronald Dworkin, “Levando os direitos a sério”, reivindico igual tratamento para a moeda nacional brasileira, tão espezinhada pelo Golpe Militar de 1964.,,

Como os últimos resíduos desse capítulo triste da nossa História estão caindo de podres, surge uma esperança de que o nosso antigo Mil Réis, hoje Real, recupere a sua integridade que foi corrompida – quando era Cruzeiro – pela correção monetária.

Há vários sinais dessa revitalização: o maior deles, a meu ver, a instituição de moedas comuns em transações internacionais, em substituição ao dólar, tal como o “Sur” e a moeda do banco dos BRICS.

Hoje, a propósito, a Folha de São Paulo noticiou que um dos principais candidatos à presidência da Argentina, nas próximas eleições – Sergio Massa, atual Ministro da Economia daquele país – é favorável à criação de uma unidade monetária comum para lastrear os negócios jurídicos entre Brasil e Argentina. Não seria, por enquanto, uma moeda única, do tipo do Euro, em que as peças monetárias, emitidas por um Banco Central supranacional, circulassem de mãos em mãos em ambos os territórios. Ainda assim, o início de uma união monetária nos obrigaria a levar a moeda mais a sério.

É um engano supor que a moeda deva ser amaldiçoada.

O grande problema da moeda é a pessoa não dispor de peças monetárias. Através da ordem monetária as condutas humanas são disciplinadas, assim como ocorre com a lei e a moral. Por outro lado, ao assegurar o monopólio da emissão – num contraponto ao monopólio do exercício da violência legítima – o Estado nacional protege o indivíduo tornando-o, ao mesmo tempo, mais livre. O segredo é distribuir equitativamente as peças monetárias entre os cidadãos.

Viva, pois,  a futura unidade monetária comum Brasil/Argentina!


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