BEM-VINDA DE VOLTA, MONICA DE BOLLE

A professora Monica de Bolle não resistiu e voltou em grande estilo ao campo da análise econômica ao publicar um texto na plataforma Substack sobre a vitória do candidato Javier Milei no “Paso” argentino, procedimento que o G-1 define como “votação prévia às eleições presidenciais existe desde 2011 e define candidato de cada partido, além de eliminar siglas nanicas; formato único no mundo”.

Segundo a professora, Milei não se compara com Trump e, menos ainda, com Bolsonaro – este último um assumido ignorante em matéria econômica cuja administração, em seu governo, delegou inteiramente ao Ministro Paulo Guedes. Na verdade, Milei é militante nessa área, como registra a Wikipedia no verbete a ele dedicado:

“Formado em Economia pela Universidade de Belgrano( Liicenciatura) e com dois Mestrados no Instituto de Desarrollo Económico e Social (IDES) e na Universidade Torcuato di Tella. Ele se tornou economista-chefe da Máxima AFJP (empresa de previdência privada), economista-chefe do Estudio Broda (empresa de assessoria financeira) e consultor governamental do Centro Internacional para Arbitragem de Disputas Sobre Investimentos. Ele também era economista sênior do HSBC.”

Desde 2012, dirige a divisão de Estudos Econômicos da Fundación Acordar, um think tank de âmbito nacional. Ele também é membro do B20, do Grupo de Política Econômica da Câmara de Comércio Internacional (um consultor do G20) e do Fórum Econômico Mundial. É especialista em crescimento econômico e já foi professor de diversas disciplinas econômicas em universidades argentinas e no exterior. Ele é autor de 9 livros. Atualmente, trabalha para o magnata argentino Eduardo Eurnekián.

Por mais de 21 anos, ele foi professor universitário de macroeconomia, economia do crescimento, microeconomia e matemática para economistas. Desde 2016 ele tenta fundir os conceitos da economia austríaca com os do monetarismo, pois entende que Ben Bernanke foi o maior banqueiro central de todos os tempos, ponto de vista rejeitado pelos economistas austríacos. Além de sua carreira acadêmica, Milei é o anfitrião de seu próprio programa de rádio chamado Demoliendo mitos (Demolindo mitos), com participações frequentes do economista alberdiano e empresário Gustavo Lazzari e outras personalidades, como o advogado também alberdiano Pablo Torres Barthe e a cientista política libertária María Zaldívar.

Diz, contudo, Monica de Bolle que, embora não haja comparação possível com Bolsonaro, a Argentina atual e o Brasil são, mesmo assim, muito parecidos em suas políticas econômicas, tendo feito vários Planos Econômicos praticamente simultâneos,  malgrado tenhamos, no Brasil, produzido, finalmente,  o Plano Real, que nos livrou da hiperinflação, o que não ocorreu na Argentina. Por isso, podemos comparar o que está acontecendo, hoje, com Milei com a época da hiperinflação brasileira do final da Ditadura Militar, quando Collor prometia matar a inflação com um só tiro na cabeça – como se ela fosse um tigre – enquanto Milei promete a integral dolarização de seu País.

A questão monetária, portanto, é o principal tema da próxima eleição argentina: enquanto o Sul Global caminha para a desdolarização os EUA escolheram a Argentina para o oposto: uma integral dolarização. Deve ser por essa razão que o Brasil está esperando para ver como agirá a China nesta eventualidade. Trata-se, com efeito, de uma luta geopolítica entre gigantes na qual Brasil e Argentina estamos envolvidos, ela diretamente e nós, de forma indireta.


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