PRECE PELA PAZ – por Ana Miranda

Peço a todos os deuses, orixás, anjos, tupãs, a todos os espíritos que tragam a paz entre seus filhos, que haja paz entre os países, as cidades, os governos e governantes, paz entre as religiões, entre os povos, os vizinhos, as famílias, paz entre seres humanos e animais, paz entre seres humanos e florestas, paz para a natureza, e a paz interior para cada um de nós.

Suplico que tragam paz entre inimigos, e rezo para que todos aprendamos a perdoar, conversar, ceder, a sentir-nos no lugar do outro que é uma das qualidades mais importantes para haver convivência, todos entendam que a paz traz prosperidade, possibilidade de florescermos como indivíduos, comunidades, que a paz seja nossa bênção.

Já temos tantas devastadoras provações e tragédias, temos de enfrentar a morte de seres amados, nossa própria morte, temos terremotos, tsunamis, furacões, lavas derretem nossas aldeias, ventanias levantam nossos telhados, não podemos dominar forças da natureza, somos pequeninos, frágeis, efêmeros, mas podemos pacificar nossos sentimentos, desejos, devemos agir pelo bem da vida, esse grande mistério e milagre que não podemos desprezar, nem deixar de reconhecer sua perfeição.

Quando alguém me agredir, fizer mal, que eu seja capaz de seguir meu caminho sem o veneno do ressentimento. Que eu saiba perdoar. E somente amar. Que muros se transformem em pontes, armas em flores, sangue em vinho. Que as terríveis imagens das guerras, imensos cenários de dementes, nos abram para o carinho, a generosidade, a piedade e compaixão, o amor pelo próximo e por nós mesmos, que entendamos sempre os dois lados, se é que existem lados, as duas razões, os dois sofrimentos, as duas histórias, que armas sejam apenas as palavras de negociação, que armas sejam o riso, a brincadeira, o afeto, a leveza, o abraço, o ouvir, que eu desarme meu próprio coração e me liberte do egoísmo, do antropocentrismo, e possa pensar nos que sofrem mais do que eu. Que todas as crianças do mundo venham com um novo pensamento, de paz e compreensão.

Que os espíritos bélicos sejam apascentados, que os países bélicos sejam iluminados pelo raio da vida, que possam falir todas as fábricas de armas, desaparecer todos os tanques, mísseis, todos os artefatos de destruição. Que a indignação leve ao entendimento e não à guerra, não se pode conseguir a paz pela força, mas pela concórdia, pela diplomacia, pela renúncia. Com a força imensurável da palavra.

Que todos rezem pela paz, acendam velas, dobrem os joelhos, deitem nas relvas, nos jardins, nas ruas, nos cemitérios, aos altares, sob estrelas, cantem, dancem, deem-se as mãos, fechem os olhos e murmurem pela paz, a força da oração haverá de percorrer os caminhos, envolver o mundo em uma névoa de sabedoria, atraindo os espíritos e as energias do bem que venham nos apoiar, que nossas preces acalentem os sofredores, apaziguem os raivosos, despertem a esperança de tornarmos a vida mais leve. Que nossas preces façam cessar paixões, raivas, descomedimento, medos, ânsias, tudo o que nos torna intranquilos e tira nosso sono, e que venha a paz, a serena paz, o amor pela paz…

ANA MIRANDA, transcrito do site do Jornal O Povo de 14 de outubro de 2023


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