LIMPEZA ÉTNICA ?

Ouvi, recentemente, um comentário sobre supostos desaparecimentos de milhares de pessoas, especialmente da Zona Oeste do Rio de Janeiro, nesses últimos 2 anos e meio, o que, a meu ver, merece um exame aprofundado por parte das entidades de Direitos Humanos, nacionais e internacionais, ainda que seja para desmentir o fato.


O ÂNCORA SARDENBERG

Depois que se tornou um dos âncoras do jornal das Dez – sem ter phisique de rôle, aliás, para tanto – o analista econômico CARLOS ALBERTO SARDENERG passou a considerar-se capaz de opinar sobre tudo, sobre aquilo que entende e, principalmente, como em geral ocorre nesses casos, sobre o que não entende.

Ontem vi-o na televisão “julgando” um julgamento do STF, do qual discordava por lhe parecer que o monopólio é sempre ruim, mesmo em casos em que ele versa sobre certos serviços escolhidos e por isso existe, pelas razões mais diversas,  em todos os países; e por lhe parecer, em outra matéria, que o governo deveria liberar a venda do Tamiflu em farmácias, e não centralizar a sua distribuição.

Como o jornal das Dez vai ao ar todos os dias, o âncora paulista, atualmente, não tem muito tempo para refletir sobre o que diz, e diz qualquer coisa, desde que, ideologicamente, faça sentido para ele.

Num livro recentemente publicado ele, por sinal,  declara-se liberal, e não neo liberal: mas, no fundo, a sua nova função está agora demonstrando, não passa de uma pessoa confusa que estudava, aparentemente, com cuidado, as suas lições, mas foi alçado a um patamar mais alto do que podia se elevar.

O SARDENBERG, e os nossos homens de jornal, em geral, anda muito atarantado, como se a permanente “desestabilização” ( palavra do ex-presidente SARNEY ou, se preferirem, “desconstrução” ) que estão querendo provocar, logo repercutisse, voando de volta,  sobre a cabeça deles.

Deles todos a voz mais lúcida, a meu ver, ainda é a do LUIZ FERNANDO VERÍSSIMO, que hoje publicou a seguinte poesia fora de hora, que vale a pena transcrever:

Karl Kraus era de Viena/ cidade de marzipã/ onde nasceram / o nazismo e a valsa/ e o Dr. Freud e seu divã. Foi KK quem previu/ a grande confusão/ que nascia/ na sua Viena de então. E disse o que não diziam: que o mal dos poderosos/ era mentir para a imprensa/ e depois acreditar/ no que liam. KK, como se viu, também previu/ o Brasiu.


OS DOIS DISCURSOS DE SARNEY

Li, na íntegra, os dois discursos que o ex-presidente SARNEY pronunciou a propósito da crise do Senado, nos últimos 15 dias.

O primeiro pareceu-me fraco. Já do segundo, gostei; achei muito bom.


A DIREITA SE ASSANHA

A manchete principal do jornal GLOBO de hoje é puro panfleto, do seguinte teor: “ Cerco à mídia venezuelana é condenado, menos no Brasil”.

Trata-se de uma notícia que, normalmente, não mereceria o destaque que obteve, além de ser extremamente vaga, pois se refere a críticas feitas por duas entidades latino americanas e “até” (!) pelo presidente LUGO, do Paraguai, e alude a um comentário do assessor MARCO AURÉLIO GARCIA, de que acabara de assistir, na televisão da Venezuela, a ácidos comentários contrários ao governo.

Ao mesmo tempo, nos EUA, os raivosos inimigos da abertura democrática, pela qual estão passando os americanos, divulgaram um cartaz com a cara do OBAMA caracterizado como o arqui-inimigo do BATMAN – o CORINGA – afirmando que o presidente  seria “socialista”, creio que, especialmente, pelo fato de a sua Administração estar tentando aprovar um novo Plano de Saúde destinado a corrigir as falhas do atual sistema.

Depois que a esquerda moderada descobriu que pode ganhar – e ganhou em vários países – as eleições, a direita se foi tornando cada vez mais extremada, numa tentativa, talvez,  de acirrar os ânimos dos eleitores, diante dos quais ela é minoria; isso sem falar na defesa, por alguns ideólogos, dos golpes de Estado sui generis, como o que está ocorrendo em Honduras.

Por outro lado os jornalistas brasileiros não fogem à tradição brasileira corporativa, e ficam se defendendo uns aos outros – misturando, em muitos casos, como se diz vulgarmente estações, – o que acontece, por exemplo, com o Estadão, que está querendo identificar a decisão judicial que assegurou a manutenção do sigilo do processo criminal contra FERNANDO SARNEY à sua corajosa atitude frente à censura prévia que a ditadura impôs, numa determinada época, ao jornal, que são situações inteiramente diferentes.

A preservação da democracia, a esta altura, deve ser a principal preocupação dos povos americanos, do sul e do norte.